O auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Marques confirmou à CPI da Covid, no Senado, que o documento sobre número de mortes por coronavírus foi adulterado após ser enviado ao presidente Jair Bolsonaro (Sem partido). Ele é o autor do relatório usado pelo mandatário para questionar as notificações de óbitos em decorrência da pandemia. Bolsonaro chegou a atribuir o material ao TCU, mas, em nota, a corte de contas negou que o relatório tenha sido produzido pelo órgão e informou que se tratava de "uma análise pessoal" do auditor.
Questionado pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), se Marques confirmava ser o autor do documento citado por Bolsonaro, o auditor disse que produziu um texto em formato "Word" que não era conclusivo. Renan também exibiu o vídeo do depoimento dele no processo administrativo em curso no TCU, no qual afirmou que o discurso de Bolsonaro foi "irresponsável" e que o documento produzido por ele foi alterado depois de ter sido encaminhado para seu pai. Ele também confirmou que o pai enviou o arquivo para Bolsonaro.
— Essa falsificação foi feita após o envio do documento por seu pai à Presidência da República? — perguntou Renan.
— Sim, senhor. Foi após — respondeu Marques.
Renan perguntou então quem alterou o documento, mas o auditor disse não ter essa informação. Marques também confirmou ter ficado indignado com a atitude de Bolsonaro de atribuir ao TCU o documento.
O pai do auditor é o coronel reformado Ricardo Silva Marques, que foi colega de Bolsonaro na academia militar e tem cargo na Petrobras.