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CPI da Covid ouve ex-assessor que intermediou encontro com suposto pedido de propina por vacina

Por Agência O Globo - |
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CPI da Covid ouve tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa.
CPI da Covid ouve tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa.

A CPI da Covid, no Senado, ouve nesta quarta-feira o tenente-coronel Marcelo Blanco, ex-assessor do Ministério da Saúde que teria intermediado encontro onde houve o susposto pedido de propina para a compra de vacina.

Segundo o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que dizia representar a empresa Davati Medical Supply, Blanco estava no jantar em que o PM alega ter recebido a proposta de propina de Roberto Dias, ex-diretor de Logística da pasta, por uma suposta venda de imunizantes da AstraZeneca ao governo federal. O tenente-coronel é apontado como intermediador da reunião, que ocorreu em um shopping de Brasília. O coronel abriu uma empresa poucos dias antes da conversa, o que levantou suspeitas no colegiado.

Coronel Blanco chegou ao Senado por volta das 9h, mas a sessão começou com 1h20 de atraso. Após o início da sessão, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) mencionou o poder de a comissão analisar o abuso do direito de não autoincriminação, como ocorreu no caso da diretora da Precisa, Emanuela Medrades.

Logo no início do depoimento, o ex-assessor disse ter uma "trajetória ilibada' e currículo para assumir o cargo na Saúde. O coronel diz ter sido procurado por Dominguetti, e mostrou uma troca de mensagens feita em fevereiro. Segundo o GLOBO apurou, o principal argumento de Blanco à CPI será de que ele foi enganado pelo PM. O policial se anunciava como um representante comercial que poderia vender ao Brasil 400 milhões de doses da vacina Astrazeneca, mas não tinha nem sequer autorização do laboratório.

O militar admite que, após ser procurado por Dominguetti, em fevereiro, viu a oportunidade de negociar os imunizantes para a iniciativa privada. Na época, ele já tinha deixado o cargo de assessor na Saúde. Blanco abriu uma consultoria três dias antes do jantar com o policial e, cerca de um mês depois, incluiu atividades ligadas à área da saúde no escopo das atividades da empresa.

Blanco tem um Habeas Corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que lhe permite ficar em silêncio durante seu depoimento à comissão. A decisão foi dada em meados de julho pelo presidente da Corte, o ministro Luiz Fux, para que o depoente fique isento de responder perguntas que possam lhe incriminar. No entanto, ao GLOBO, o tenente-coronel disse que responderá aos senadores.

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