Uma clínica de reabilitação para dependentes químicos foi interditada nesta quarta-feira (4) em ação que reuniu o Ministério Público e a Polícia Civil em Pindamonhangaba. No local, 46 internados foram encontrados em cárcere privado.
Segundo o MP, dois responsáveis pela clínica estão respondendo por crime de tortura. O local teria um histórico de irregularidades e chegou a firmar TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) em que se comprometia a não trancar os pacientes e comunicar ao MP todas as internações involuntárias. Contudo, o compromisso não teria sido cumprido.
O órgão recebeu novas denúncias de que os internos estariam sendo mantidos na clínica contra a vontade e, ao chegar no local, encontrou todos trancados pelo lado de fora em seus quartos.
A maioria dos internos teria relatado que estava internada há mais de 90 dias contra a vontade. A clínica negou que haviam pacientes nessas condições.
Ao MP, os pacientes teriam relatado ainda que a clínica impedia o contato deles com seus familiares e teria cobrado taxa de R$ 35 para que fossem vacinados contra a Covid-19. Também foram encontrados medicamentos de uso controlado supostamente pertencentes aos pacientes dentro do carro particular de um dos internos.
A Vigilância Sanitária de Pindamonhangaba foi acionada e o local interditado de forma temporária. As famílias estão sendo contatadas para buscar os parentes. Para os pacientes com transtorno mental, foi solicitado apoio do município e da COMAD para abrigo provisório.
A Polícia Civil realiza a oitiva dos internos e o caso segue em investigação.
A reportagem tenta contato com a administração da clínica.