A cada 5 minutos, um registro de violência contra a mulher é feito no estado de São Paulo. A constatação, que deriva de uma triste realidade ainda enfrentada em toda a região, foi obtida por meio de levantamento feito pela reportagem com base em dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública).
No primeiro semestre deste ano, foram 67.502 registros de diferentes tipos de violência contra a mulher em todo o estado, como homicídio doloso, feminicídio, tentativa de homicídio, lesão corporal dolosa, maus-tratos, calúnia, difamação e injúria, estupro tentado e consumado, além de outros crimes contra a dignidade sexual.
O número representa um aumento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram 62.352 registros. Entre os aumentos mais significativos, estão crimes contra a dignidade sexual da mulher, cujo crescimento foi de 72%, um aumento de 20% em estupro de vulnerável e de 69% em maus-tratos.
Apesar de alto, o número de registros dos primeiros seis meses ainda fica abaixo de 2019, quando o semestre não sofreu impactos da pandemia. Na época, foram 73.396 registros de violência contra a mulher. Com a pandemia, em 2020, a queda foi de 15%.
A redução, infelizmente, não é sinônimo de menor violência. Mas, sim, de menor busca por ajuda.
"É muita complexa toda essa situação. No início da pandemia, nós tivemos três denúncias de cárcere privado. Muitas mulheres estão até em um 'cárcere invisível', querendo se libertar, querendo sair, mas neste momento sem nenhuma condição", explicou Marcela de Andrade, diretora-executiva do Centro Dandara, que atua na promoção de direitos das mulheres em São José dos Campos.
AGOSTO LILÁS.
A campanha nacional visa chamar a atenção da população para o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher. Também neste mês, no próximo sábado (7), a Lei Maria da Penha completa 15 anos de existência em defesa do direito das mulheres.