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CPI da Covid ouve sócio de empresa suspeita de ligação com líder do governo

Por Agência O Globo |
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CPI da Pandemia no Senado Federal
CPI da Pandemia no Senado Federal

O empresário Emanuel Catori, sócio da Belcher, presta depoimento nesta terça-feira à CPI da Covid, no Senado. A comissão tenta aprofundar as investigações sobre possíveis irregularidades na negociação de vacinas para o Brasil. A empresa, representante do laboratório chinês Cansino para o fornecimento do imunizante Convidecia, teria ligações com o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

Um advogado do parlamentar, Flávio Pansieri, atuou como representante legal da Belcher e chegou participar de uma reunião na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O caso foi revelado pela "Folha de S.Paulo". Catori poderá ficar em silêncio com relação a fatos que possam incriminá-lo.

Em junho, o governo assinou uma carta de intenção com a Belcher Farmacêutica que previa o pagamento de US$ 17 por dose, o valor mais alto negociado pelo Ministério da Saúde para a compra de um imunizante contra a Covid-19. Até então, o maior valor negociado havia sido de US$ 15 por cada dose da indiana Covaxin, cujo contrato foi suspenso por suspeitas de ilegalidades.

Também em junho, os chineses romperam a parceria com a Belcher e, desde então, estão suspensos os processos de autorização da vacina Convidecia na Anvisa e de compra no Ministério da Saúde.

A Belcher tem tido o apoio de empresários bolsonaristas como Luciano Hang, do Grupo Havan, e Carlos Wizard para viabilizar a venda de imunizantes. Em março, Hang, Wizard e Catori chegaram a fazer uma transmissão ao vivo sobre a venda de vacinas para o Brasil.

A CPI vê semelhanças entre a negociação da Convidecia e Covaxin. Em ambos os casos, há o envolvimento de uma empresa brasileira sobre a qual pesam suspeitas — no caso da Covaxin, trata-se da Precisa Medicamentos, outra investigada pela comissão.

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