Especial

Mãe de UTI, histórias de esperança: "Nos uníamos em esperança e amor"

Por Nati Romano |
| Tempo de leitura: 2 min

Ao lembrar o dia 3 de novembro de 2018, revivo cada segundo que virou a minha maior experiência de vida. O nascimento dos gêmeos Antônio e Bento não teve golden hour nem primeira mamada. Vieram ao mundo e já foram colocados no oxigênio. A cesárea com 8 meses de gestação aconteceu porque o líquido amniótico de um deles começou a diminuir. A UTI Neonatal se tornou o lar do Antônio, que veio ao mundo com 2,180 quilos, e do Bento, que chegou 1 minuto depois, com 1,890 quilo. 

Não era mãe de primeira viagem. Joaquim estava com 2 anos quando deixou de ser filho único. Sozinha na sala de recuperação, com saudade e sem notícias dos bebês comecei a chorar. Sabia que tinha me cuidado durante toda gestação, mas o susto virou realidade. Meus meninos foram prematuros e não voltariam para casa comigo. 

Eles nasceram 11h52 e fui autorizada vê-los às 22h. Entrar na UTI Neonatal é conhecer um novo mundo. Ao invés de enfeite de maternidade na porta, nada de acessórios para adentrar. O colorido é substituído por sons das máquinas apitando. Meus pequenos estavam nessa sala gelada. Precisando de auxílio mecânico para respirar e sonda no nariz para se alimentar. Meu contato com eles se dava pelas incubadoras. No terceiro dia pude sentir o cheirinho dos meus recém-nascidos. Por pouco tempo, mas o suficiente para acalmar o coração. Quatro dias depois do parto tive alta. Ficar em São Paulo não era uma opção. Joaquim precisava de mim em casa.

Meu puerpério foi na estrada. Com dor, leite descendo, medo, saudade, ansiosa para ter todos juntos. Queria acompanhar meus pequenos, mas precisava me dividir. Com 14 dias Bento estava saudável para ir embora. E mais uma vez, o choro. De novo sairia do hospital incompleta. Antônio não tinha previsão de alta devido a um foco hemorrágico na cabeça. Tarefas simples como engolir para ele era complexa demais. 

Doía as ausências e pensar na quantidade de exames que Antônio precisava fazer. Essa jornada mesmo parecendo tão solitária era compartilhada com as mães que viviam o mesmo que eu. Minha fé foi essencial para esse ir e vir sem data para acabar. Na UTI tinham tantos casos mais graves, tantos prematuros extremos, problemas de má formações, síndromes. Nos uníamos em esperança e amor. Tivemos dias ruins como a morte de um bebê. A tristeza daquela mãe ecoou em todas. 

Depois de 37 dias veio a sonhada alto do meu Tonico. Foi assim que entendi como Deus tem planos para cada um de nós. 9 de dezembro virou um marco na nossa família. O começo de uma nova vida ao qual dedico a Nossa Senhora Aparecida por tantas bênçãos recebidas.

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