Covid-19

‘Saúde mental é outra pandemia', diz neurocientista

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 2 min

Morando em Portugal, o neurocientista, neuropsicólogo e biólogo brasileiro Fabiano de Abreu vê a saúde mental como uma pandemia a ser encarada.

“O problema no Brasil já vem antes da Covid-19", diz ele ao Gabinete de Crise de OVALE.

Confira os principais trechos.

Vivemos uma epidemia de saúde mental?

Saúde mental é outra pandemia. Aliás, já era uma epidemia no Brasil antes da pandemia do coronavírus, só que agora começou a se acentuar e chamar mais a atenção das pessoas. Em 2019, a OMS (Organização Mundial da Saúde) considerou o brasileiro o povo mais ansioso do mundo, então já deveríamos nos preocupar com a epidemia da saúde mental.

O país deveria se preparar para enfrentar essa pandemia também?

Sim, tanto que quando começou a pandemia da Covid aqui na Europa eu logo pensei que chegaria ao Brasil e seria um desastre, porque o país não tinha a mesma organização, em razão das diferenças sociais, da educação do povo e também da ansiedade, que está relacionada à baixa imunidade.

Ansiedade atrapalha?

Nos meus estudos, percebi que o Brasil é o segundo povo mais estressado do mundo, só perdendo para o Japão. Logo, o Brasil é um dos países onde a imunidade é mais baixa, o que é preocupante. Levando em consideração a alimentação, isso afeta o sistema imunológico. O número de mortes por Covid é alto também por conta disso, e o país deveria ter se preparado para essa questão da saúde mental.

Como enfrentar essa questão de saúde mental?

Quando se fala nisso tem que falar de diversos setores, como a educação. O trabalho de psicólogos na escola, por exemplo, é fundamental para dar esse suporte. As pessoas também devem buscar ajuda. Costumo falar em etapas. A primeira é quando você não está se sentindo bem e tenta resolver a situação. Se não consegue, procura um profissional que vai indicar o melhor tratamento.

A internet ajuda?

Hoje, as redes sociais são uma das piores coisas para a ansiedade. E isso está acontecendo no mundo todo, com enfermidades se potencializando, como o narcisismo. A rede social faz com que a pessoa acredite que tem um poder e a cada like que ela ganha, libera dopamina no cérebro e isso acaba sendo viciante, o que aumenta a ansiedade. Os atletas passam por isso e estamos vendo alguns desistirem dos jogos olímpicos.

Por que esse abandono?

A questão pode estar relacionada à própria pandemia. A incerteza de se e quando ia acontecer já causa desordem. A ansiedade não é apenas uma pendência de resolução. Mas também uma pendência sob a incerteza. Mudar a rotina já causa pendência.

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