Olimpíadas

Em Tóquio, Geração Z se firma com pódios de talentos precoces

Por Agência O Globo - |
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Rayssa Leal
Rayssa Leal

A prata conquistada por Rayssa Leal, aos 13 anos, foi marcante pela afirmação do talento precoce que tomou conta do pódio inteiro do skate street. A campeã, a japonesa Momiji Nishiya, tinha a mesma idade da brasileira. Um pouco mais velha, a também anfitriã Funa Nakayama, de 16 anos, ficou com o bronze. Um resultado certamente bem recebido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que introduziu nesta edição esportes radicais, como o surfe e o skate, para arejar as atrações e seduzir o público jovem. 

As pequenas skatistas não foram os únicos adolescentes a se destacar pelo desempenho em Tóquio. Em outras modalidades, a medalha terminou na mão de atletas da chamada geração Z, que abrange pessoas nascidas entre 1995 e 2010. Se ainda não atingiram o auge, estão perto disso, apesar da idade. 

O quadro de medalhas ajuda a corroborar a força juvenil na Olimpíada de Tóquio. Até a tarde de ontem, 31 medalhas haviam sido dadas para competidores de até 18 anos, sendo 15 ouros. Com uma semana de disputas, o número de medalhas de ouro entre menores de 18 anos já havia superado a marca de toda a última Olimpíada — na Rio-2016, os adolescentes conquistaram nove ouros. Os Jogos cariocas foram, na verdade, uma exceção, pois a média histórica de premiação dessa faixa etária é de cerca de 20 medalhas douradas, número que deve, no mínimo, se repetir agora no Japão. 

Além do skate, outros esportes contribuíram para reforçar o bom desempenho dos mais novos. A chinesa Yuxi Chen, de 15 anos, foi ouro nos saltos sincronizados, ao lado da parceira Jiai Zhang, a mais experiente da dupla do alto de seus 17 anos. Já a nadadora americana Lydia Jacoby, também de 17, ficou no topo do pódio nos 100 m peito. 

A média de idade dos atletas em Olimpíadas e dos medalhistas vem se mantendo constante em torno dos 26 anos desde meados da década de 1990. Levantamento feito pelo GLOBO, tendo como base os dados de mais de 220 mil atletas desde os Jogos de 1896 — a primeira edição na era moderna — mostra que a média de idade variou ao longo das décadas. Com exceção de Atenas-1896, a Olimpíada mais jovem da História foi a de 1980, em Moscou, com média de 23 anos. Desde então, ela passou a subir até estacionar nos 26, onde permanece desde Atlanta-1996.

Para o fisiologista e doutor em biodinâmica do movimento e do esporte Rafael Fachina, um dos fatores que colaboram para manter a média nessa faixa etária é o avanço da medicina, que permite a fenômenos que despontam aos 17 ou 18 anos conseguir se manter em alto nível por alguns ciclos olímpicos. Maior medalhista da História, Michael Phelps é um exemplo: sua primeira Olimpíada foi em 2000, em Sydney, aos 15 anos, quando por pouco não subiu ao pódio: terminou em quarto nos 200m borboleta. Quatro anos depois, em Atenas, ele já ganharia seis de suas 23 medalhas de ouro. Phelps colecionou vitórias até a Olimpíada do Rio, em 2016. Aos 31 anos, venceu nada menos que cinco provas. 

— São avanços, novos métodos cirúrgicos, qualidade do profissional especializado em recuperação. Tudo isso ficou muito melhor e está otimizando a carreira do atleta — afirma Fachina.

O efeito da juventude para o rendimento também varia de acordo com o esporte. Segundo Fachina, jovens costumam ter vantagem em esportes de potência, como é o caso das provas da natação, quase todas de velocidade. Quando a exigência é de resistência, porém, a experiência conta ponto. Na piscina, a média de idade dos competidores em Tóquio foi de 22,9 anos. No triatlo, que, ao lado das maratonas, é o símbolo das provas de fôlego, sobe para 28,8. 

É possível alcançar o auge esportivo mais cedo, sem, no entanto, obrigatoriamente ter uma carreira mais curta. A única recomendação é aquela que vale tanto para atletas como para pessoas comuns: cuidar bem da saúde

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