Natalidade

Com pandemia, número de nascimentos no Vale em 2020 é o menor desde 1980

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 4 min

Procuram-se bebês.

Com a pandemia de Covid-19, o número de nascimentos no Vale do Paraíba em 2020 foi o menor desde 1980, segundo dados do Sinasc (Sistema de Informações de Nascidos Vivos), do Ministério da Saúde, e da Fundação Seade, tabulados por OVALE.

Foram 30.854 recém-nascidos no ano passado, contra 32.096 em 2019, queda de 3,8%.

Os nascimentos já estavam em queda ou estabilidade nos últimos anos. Entre 2018 e 2019, por exemplo, a diminuição no número de novos recém-nascidos havia sido de 4%. Já entre 2017 e 2018, a região tinha registrado leve queda de 0,27% nos nascimentos.

Os números revelam que o impacto da pandemia no número de recém-nascidos foi maior até mesmo que o do surto de zika e microcefalia, que afetou o país entre 2015 e 2016.

Naquele período, em que muitos casais adiaram a gravidez por medo das sequelas deixadas pelo zika em algumas crianças, a queda de nascimentos foi de 3%%.

Não há registro na série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e na da Fundação Seade para um número tão baixo de nascimentos na RMVale como em 2020, com 30.854 bebês.

A última vez que a região registrou um número tão baixo foi em 2007, quando 32 mil crianças nasceram. Nessas quatro décadas, o ano com mais nascimentos no Vale foi em 1981, com 40,2 mil nascidos vivos. Na última década, o ano mais fértil foram os de 2014 e 2015, ambos com 34,1 mil bebês gerados.

PERÍODO CRÍTICO

Na avaliação de Joice Vieira, professora do Departamento de Demografia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a queda de nascimentos costuma ocorrer em períodos críticos, mas não significa que se manterá constante com o passar dos anos.

“Se nos voltarmos para casos semelhantes ao longo da história humana, é esperado que o número de nascimentos decline durante pandemias, mas há certa recuperação depois que esse período crítico terminar”, disse ela em entrevista na internet.

“É claro que sempre existem os casos de mulheres que atravessam períodos de crise já nos anos finais de seu período reprodutivo e podem ter vivenciado dois abalos grandes, como o da zika e agora a Covid-19, e que terão menores chances de recuperação da fecundidade desejada.”

No entanto, a especialista lembra que a retomada dos planos para ter filhos depende não apenas do recrudescimento da pandemia, mas também de condições econômicas, como políticas de redução de desigualdades e que proporcionem maior estabilidade financeira às famílias.

CIDADES

Vinte e uma cidades do Vale tiveram queda na quantidade de nascimentos em 2020 na comparação com o ano anterior, com destaque para as cidades com as maiores reduções percentuais: Lagoinha (-23,6%), Santo Antônio do Pinhal (-19%) e Tremembé (-12%).

Cruzeiro foi a única cidade a registrar estabilidade nos dois anos e outros 17 municípios encerraram 2020 com mais nascimentos do que em 2019, especialmente em Lavrinhas (30%), Monteiro Lobato (20,5%) e Arapeí (16,6%).

Entre as cidades que reduziram a quantidade de recém-nascidos, estão os maiores municípios da região, como São José dos Campos (-4,5%), Taubaté (-6%), Jacareí (-5%), Pindamonhangaba (-2,7%) e Guaratinguetá (-5,9%). Já Caraguatatuba aumentou o percentual de nascimentos em 2,8%.

Na comparação com 1994, ano mais longevo com dados do Ministério da Saúde dos nascimentos de todas as cidades da região, nada menos do que 30 cidades reduziram a quantidade de crianças nascidas em 2020.

Sete desses municípios caíram nesse quesito com índices superiores a 50%, com Arapeí chegando a 79% a menos em nascimentos nesse período. Mais 12 cidades registraram queda entre 30% e 48%, e as demais ficaram entre 3% e 28%.

São José dos Campos registrou queda de 12% nos nascimentos nesse período, seguida de Taubaté (-17,5%), Jacareí (-21%) e Guaratinguetá (-26,7%).

Nove cidades foram na direção contrária e aumentaram os nascimentos entre 1994 e 2020, com destaque para Canas (27,8%), Ilhabela (25,9%) e Jambeiro (25%).

CASAMENTOS

Pesquisa do Seade com base nos dados do Registro Civil revela que a pandemia de Covid-19 teve impacto na redução do volume de casamentos na região.

Foram registrados 12.461 casamentos em 2020, representando um decréscimo de 26% em comparação com 2019, que encerrou com 16.804 casórios. Foram 4.343 casamentos a menos na região em um ano.

O ano passado teve o menor número de casamentos no Vale desde 2004, segundo os dados do Seade. Naquele ano, 12.219 cerimônias foram realizadas.

A pesquisa mostra que a idade média ao se casar manteve-se elevada em 2020, sendo 35,2 anos para os homens e 32,7 para as mulheres. Em 2019, as médias foram de, respectivamente, 35 e 32,5 anos.

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