Aviação

Em transformação, Embraer celebra lucro e mira novos mercados e produtos inovadores

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 3 min
Embraer
Embraer

A velha Embraer subiu no telhado. Qual virá?

Aos 52 anos, a Embraer é uma companhia em transformação e que busca novos mercados e negócios, com produtos inovadores e sustentáveis, em um mundo pós-pandêmico.

O início da década de 20 deste século marca a maior crise na aviação mundial e uma das mais graves a atingir a Embraer, terceira maior fabricante de aviões.

A empresa reportou lucro líquido de R$ 212,8 milhões no segundo trimestre de 2021 após três anos registrando prejuízos trimestrais. A entrega de aviões aumentou 81% no período, com 156% de alta na aviação comercial.

Nas palavras do presidente e CEO, Francisco Gomes Neto, é o início da recuperação visando a busca pela plenitude da empresa a partir de 2022. O executivo não economiza no otimismo: “A partir de 2022, pretendemos captar o desempenho pleno da Embraer. Temos capacidade de dobrar o tamanho da empresa”.

O bom cenário se deve a dois fatores antagônicos e que quase acabaram com a Embraer.

PANDEMIA.

O primeiro era o celebrado acordo comercial com a Boeing, que compraria 80% da Embraer. Classificado pela direção da Embraer como estratégico para enfrentar a concorrência, que se avolumava, o acordo naufragou deixando prejuízo financeiro e dor de cabeça administrativa.

Quase ao mesmo tempo, a pandemia do coronavírus colapsou a aviação MUNDIAL e ameaçou as principais fabricantes. A Boeing precisou ser socorrida pelo governo.

A Embraer precisou ir ao mercado buscar empréstimos e hoje tem um endividamento bastante considerável, que a empresa considera administrável ao longo do tempo.

Porém, em razão de atuar fortemente na aviação regional, mercado que lidera há anos, a retomada tem sido mais acentuada para a companhia brasileira do que para as concorrentes, que sentiram o golpe.

Aviões comerciais previstos por países como Japão, China e Rússia, que ameaçavam o portfólio da Embraer, praticamente estacionaram em seus projetos e não fazem a mesma sombra de antes.

Além disso, a Embraer não teve cancelamento de encomendas por conta da pandemia e, agora, celebra o retorno forte das campanhas de venda.

“Globalmente, temos 94% da frota da Embraer de volta voando e 97% nos Estados Unidos, o que demonstra a recuperação do mercado doméstico. Temos trabalhado em muitas campanhas de venda nesse segmento, para tirar proveito desse momento, para E2 e E1”, disse Gomes Neto.

CONSOLIDAÇÃO.

Crítico do acordo com a Boeing, o professor Marcos Barbieri, coordenador do Laboratório de Estudos das Indústrias Aeroespaciais e de Defesa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), disse que a Embraer começa a sair da crise da pandemia melhor do que as outras e mais rápido do que se esperava.

“Embraer coroa trajetória de expansão e de consolidação como uma das grandes empresas líderes do mundo. Trajetória de capacitação tecnológica, administrativa e comercial.”

Para Barbieri, a Embraer superou o negócio com a Boeing e a pandemia de maneira “muito rápida” e com “total capacidade para andar sozinha”. “É a maior empresa de alta tecnologia do Brasil.”

O impulso das vendas permite à Embraer manter o propósito de buscar novos produtos e mercados inovadores onde atuará num futuro próximo, como o da mobilidade urbana.

Luís Carlos Affonso, vice-presidente de Engenharia da Embraer, confirmou que a Embraer projeta um novo avião turboélice de alta tecnologia, de 70 a 90 assentos, e um avião de transporte para a Força Aérea Brasileira, com configuração elétrica híbrida e uso duplo, militar e civil. Além do Evtol o táxi elétrico voador criado para a mobilidade urbana.

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