A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) disse neste sábado que há "resistência natural" entre os eleitores do presidente Jair Bolsonaro a indicação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) à Casa Civil, mas os verdadeiros apoiadores do presidente não irão abandoná-lo por causa dessa decisão política.
Ciro Nogueira é um dos líderes do bloco de partidos que formam o centrão, conhecido pela troca de apoio por cargos, e já foi acusado de suspeita de corrupção na operação Lava-Jato.
Embora durante a campanha eleitoral de 2018 Bolsonaro e sua base rejeitassem aliança com o centrão, a deputada disse que nunca foi "inocente" de achar que seria possível governar sem esse apoio.
Segundo a deputada, ainda que os apoiadores do presidente tenham dificuldade de entender a nomeação do senador, eles não vão abandonar Bolsonaro porque sua gestão defende as bandeiras do conservadorismo.
— Acho que tem alguma resistência natural a qualquer pessoa que seja de fora do bolsonarismo puro. Mas quem é Bolsonaro mesmo sabe que, por mais que eventualmente não possa entender a atitude dele (presidente) agora, que existe um propósito. Todo mundo sabia que para poder governar Bolsonaro teria que dialogar com o centrão — disse Zambelli na tarde deste sábado, durante uma carreata da tradicional Marcha para Jesus em São Paulo.
Carreata para JesusO evento religioso começou pela manhã numa campanha de arrecadação de alimentos e teve poucas manifestações políticas num dia em que o presidente Jair Bolsonaro enfrenta protestos contra sua gestão em diversas cidades do país.
Bolsonaro já participou da marcha, mas este ano os organizadores não chamaram o presidente. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) também não foi convidado.
Zambelli acompanhou o trio elétrico que puxou o cortejo de carros junto com o líder do ato, o apóstolo Estevam Hernandes e sua mulher, a bispa Sônia. Hernandes já votou no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas hoje apoia Bolsonaro.
Durante o evento, porém, o presidente não foi citado. Ainda assim, a bispa Sônia fez uma oração pelo país e pelas suas autoridades. Em outro momento, Hernandes pediu que "possamos ver a pandemia repreendida". O evento teve diversos carros com bandeiras do Brasil e de Israel.
Para Hernandes, ainda que o governo Bolsonaro tenha enfrentado momentos difíceis na pandemia, ele continua com forte apoio no segmento religioso.
O apóstolo frisou que o caráter do evento não é político, mas sim solidário para arrecadar alimentos num momento difícil para a população durante a pandemia.
— A base do evangelho de Jesus é o amor, e não existe amor sem doação. Por isso, seguimos em nossa missão de ajudar aos necessitados — afirmou o Apóstolo.