A lista aumentou. Depois de Gabriel Medina, líder do ranking mundial do surfe, insistir em levar Yasmin Brunet ao Japão porque, segundo ele, é na companhia da esposa e também membro do seu estafe que ele se sente bem, outros atletas demonstraram insatisfação por não poderem contar com técnicos ou membros de suas equipes nos Jogos de Tóquio. Nesta segunda-feira, Pamela Rosa, igualmente número um do mundo em sua modalidade, disse que se sentiu sozinha durante sua estada no Japão. Ela não avançou à final do skate street e desabafou:
— Fiquei chateada com a eliminação porque estou lesionada mas também por um monte de coisas que estão acontecendo. Sou muito acostumada a ter meu empresário comigo. Não poder ter alguém que eu me sinta bem por perto... Me senti um pouco sozinha. Ele não pôde vir por conta de muitas coisas, entre elas o limite de técnicos — lamentou a atleta, que chegou a fazer a vez de treinadora para Kelvin Hoefler. E vice e versa.
Kelvin contou que sentiu a falta da companhia da esposa. Chegou a ligar para ela durante a competição para ouvir palavras de incentivo e seguir adiante. Ele foi prata e dedicou a conquista a Pamela e a Ana Paula Negrão, que está na Califórnia. Assim como Medina Kelvin afirmou que sua esposa é a sua técnica e que sentiu falta de alguém lhe dando apoio.
Quem também se manifestou reclamando sobre o mesmo assunto foi o velocista Paulo André, que publicou um desabafo nas redes sociais contestando a não convocação de seu pai e treinador, Carlos Camilo. A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) teve de enviar menos treinadores ao Japão por causa da pandmeia. Paulo André é o homem mais rápido do Time Brasil e além dos 100m disputará o 4x100m.
O Comitê Olímpico do Brasil (COB explicou que por causa da pandemia do novo coronavírus teve de reduzir drasticamente sua deleção.
— O COB entende que as indicações das comissões técnicas estão adequadas ao evento e as condições existentes para o atendimento aos atletas e equipes. Existem critérios e limitações de regulamento que tem que ser atendidos no aspecto técnico. Existem também questões particulares de modalidade para modalidade que devem ser compreendidas e adaptadas dento do possível — comentou Jorge Bichara, diretor de Esportes do COB. — Em uma situação normal o COB e outros países possibilitariam o acesso de alguns treinadores pessoais para acompanhar seus atletas mas que isso não é possível nessa edição dos Jogos Olímpicos.
O dirigente disse não acreditar que isso pode prejudicar os atletas:
— As equipes técnicas presentes são competentes e tem a missão de atender ou estar à disposição de todos os atletas integrantes da delegação olímpica. Por outro lado nenhum atleta presente está impedido de usar, respeitando o regulamento de cada competição, os recursos eletrônicos de comunicação existentes para trocar impressões e receber orientações de seus treinadores pessoais que não estão ou estarão presentes no Japão por motivos diversos.