São José dos Campos completa 254 anos com números superlativos no trânsito. Segundo dados do Ministério da Infraestrutura, existem 458 mil veículos na cidade, dos quais se destacam 363 mil automóveis e 61 mil motocicletas.
A proporção é de três veículos para cada grupo de cinco moradores. E para que uma frota dessas não trave por completo o trânsito da cidade, obras viárias e soluções de mobilidade urbana são necessárias.
Daqui até 2024, quando o município atingirá 257 anos, um pacote de obras é previsto para a cidade. A principal delas é a relacionada ao projeto Linha Verde. As obras da primeira fase tiveram início em abril de 2020, com previsão de entrega para outubro de 2021. Mas como o cronograma está atrasado, o governo Felicio Ramuth (PSDB) já admite que a conclusão se dará apenas no começo de 2022. Essa primeira etapa tem início na Estrada do Imperador (região sul) e segue até o Terminal Intermunicipal (região central). A obra consiste na construção de um corredor exclusivo para o VLP (Veículo Leve sobre Pneus). “A zona sul é a região mais populosa da cidade, e é uma das que mais demandam o transporte publico para a região central”, explicou o secretário de Mobilidade Urbana, Paulo Guimarães.
“Com o VLP, teremos um tempo de viagem mais reduzido, para quem já usa o transporte publico. Para quem não usa, a Linha Verde será um incentivo [para usar]. É um vetor para atrair. Assim, teremos menos carros nas vias, e mais velocidade no sistema”, completou.
Já a segunda fase da Linha Verde é o que a Prefeitura chama de Anel Viário Leste, uma nova via que permitirá a interligação de toda a cidade ao Parque Tecnológico, sem a necessidade de uso da Via Dutra. Essa via serviria para o VLP e também para demais veículos em geral. Mas não há previsão de quando essa segunda fase será licitada.
A próxima obra a ser licitada deve ser a do alargamento do Anel Viário. A ideia é alargar do viaduto Kanebo até o trevo da Avenida Jorge Zarur. Nessa mesma obra, a ciclovia da Estrada Velha, que termina em frente ao Centro da Juventude, será conectada à ciclopassarela, que faz a ligação com o Jardim Aquárius. “Vamos contemplar duas soluções na mesma obra: amenizar a lentidão no Anel Viário na parte da manhã, sentido Centro, em função do excesso de veículos, e proporcionar mais uma ligação da região central com a zona sul por meio de ciclovias”, disse Guimarães.
Outra obra relacionada ao Anel Viário é a construção de uma nova ligação, talvez com um novo viaduto, que facilite o acesso para a região do Jardim Satélite. O objetivo é desafogar o cruzamento das avenidas Cidade Jardim e a Cassiopeia. Não há previsão de quando essa obra terá início, mas objetivo é realizá-la até o fim de 2024.
Outras duas obras têm objetivo semelhante: reduzir o tráfego de caminhões nas vias urbanas. Uma delas é a Via Jaguari, que terá quatro quilômetros e vai começar na Via Norte, margear a linha férrea, transpor o rio Paraíba e seguir até a Estrada da Petybon. Essa obra foi anunciada em março de 2018 e já está com contrato assinado, mas não teve início porque o processo de licenciamento ambiental ainda não foi concluído. A outra é a interligação da Estrada do Cajuru, na região leste, até a Carvalho Pinto, para que os caminhões de empresas do polo petroquímico deixem de acessar a Dutra pelo Jardim Pararangaba. Essa obra também não tem previsão de início.
ANÁLISE.
Gerente do projeto do Anel Viário na década de 1970, o engenheiro civil Ronaldo Garcia avalia que a escolha pelo VLP como transporte de massa foi acertada, por exigir menor adaptação às vias já existentes, mas defende que o modal não fique restrito a essa primeira fase. “Precisa ser parte de um plano global. Não é só essa região que precisa”.
Garcia defende ainda que seja retomado o projeto de construção da Via Banhado, eixo de interligação entre as vias Oeste e Norte que foi promessa de campanha de Felicio na eleição de 2016. Para o engenheiro, essa via serviria para desafogar o trânsito na região central. “Hoje, para ir para a zona sul, precisa pegar a Avenida São João, porque não tem via rápida. Você usa, para longa distância, o tráfego local, que fica sobrecarregado”.
Para o arquiteto e urbanista Flávio Mourão, especialista em planejamento urbano, além das obras viárias é preciso também reformular o transporte público. “Estamos atrasados de 30 a 40 anos. Os ônibus ainda são pensados com paradas, e não da lógica de um metrô”, disse. “A gente precisa andar mais rápido. A Linha Verde é uma primeira solução, mas não dá pra ser um elemento isolado”.