É precoce falar em controle da pandemia da Covid-19 nesse momento. O alerta é do médico patologista clínico Alex Galoro, gestor do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica.
Para o especialista, apenas a vacinação em massa pode atingir o estágio de controle da pandemia no país.
“Se diminuir a vacinação e com as variantes, pode-se ter uma reversão como houve no final do ano passado”, disse ele ao Gabinete de Crise de OVALE. Confira.
Qual estágio da pandemia?
Dados objetivos mostram queda nos números e sempre com a progressão: primeiro caem os casos e depois internações e mortes. Isso é visível com a progressão da vacinação. Mas vemos que a queda mais rápida deu uma estabilizada, considerando a influência da variante delta. Temos que ter cuidado na avaliação dos números e nas nossas recomendações, porque ainda não está finalizado. Se diminuir a vacinação e com as variantes, pode-se ter uma reversão como houve no final do ano passado. É importante manter todos os cuidados até para quem se vacinou. A pandemia ainda não está controlada. É precoce falar em controle.
A massa de vacinados é que trará o controle?
Isso era esperado e é o que se viu em outras doenças virais. Quanto maior a porcentagem da população vacinada menor a progressão da doença. Vemos nos EUA, que tem percentual significativo de pessoas que não querem se vacinar, o retorno de crescimento nos números. Com tudo o que está acontecendo, é importante todo mundo se vacinar.
Como o sr. vê a iniciativa do governo estadual de fazer eventos para teste?
A gente tem aprendido durante todo esse tempo de pandemia. O que está sendo discutido é a forma de retomada segura. Ninguém sabe ainda a repercussão de tudo o que tem sido feito e como isso vai influenciar nos eventos para que eles possam voltar, e ainda a repercussão disso na linha de transmissão. É importante para ver o risco de contaminação e de desenvolver a doença nas pessoas.
É preciso testar todo mundo nos eventos?
A estratégia de fazer eventos é funcional e a iniciativa de testagem é válida, desde que seja realizada de forma estruturada para que o estudo seja assertivo e permita a implantação de protocolos eficazes para a retomada dos eventos. É importante frisar que os testes utilizados serão os de antígeno, que entregam resultados mais rápidos, mas têm menor sensibilidade do que os testes de PCR. Portanto, há a necessidade de avaliar se a possibilidade de resultados falso negativos pode permitir a contaminação do público exposto.
É possível barrar alguém contaminado antes do evento?
A ideia é que as pessoas não entrem no evento se tiverem resultado positivo. Há outros eventos que exigem a apresentação de resultado negativo em um determinado prazo. Não é segurança de 100%.
Qual o potencial de contaminação em um evento?
A transmissão do coronavírus é predominantemente respiratória, no contato e a na proximidade. Num evento de grande porte, as pessoas têm essa proximidade e o risco de contaminação é muito maior por essa exposição respiratória. Se tiver um contaminado, a chance de circular o vírus é grande. Vai depender do status de vacinação de quem estiver no evento. A vacinação tem um índice de proteção e de reduzir a gravidade da doença. Os grandes eventos são os de maior risco para a disseminação.