Violência

Mortes em confronto com a polícia caem 36% no Vale em 2021, diz SSP

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 3 min
PM
PM

Depois de recorde histórico de mortes em confronto com a polícia no ano passado, o Vale do Paraíba reduziu o número de óbitos neste ano, de acordo com dados oficiais da SSP (Secretaria Estadual da Segurança Pública).

No primeiro semestre, a região acumula 16 mortes em confronto com a polícia, 36% a menos na comparação com os 25 óbitos do ano passado, no mesmo período.

Todas as mortes ocorreram em confrontos com a polícia militar em serviço, sendo nove no primeiro trimestre e sete, no segundo.

Em todo estado, o indicador caiu 33%, com 343 mortes em confronto no primeiro semestre de 2021 contra 514, em igual período do ano passado.

As 25 mortes registradas no Vale em 2020, de janeiro a junho, representam o maior número de vítimas da série histórica da SSP, que começa em 2005. O ano passado terminou com um total de 38 mortes em confronto com a polícia, também recorde histórico.

Embora em 2021 a região tenha menos vítimas do que em 2020, o número continua em um patamar alto na comparação com anos anteriores da série histórica da SSP.

O primeiro semestre deste ano é o terceiro mais mortal desde 2005 e empata com 2019, que também registrou 16 mortes em confronto.

Perde apenas para 2020 (25 óbitos) e 2006 (19 mortes), ano marcado pelos ataques da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) às forças de segurança.

Em nove dos 17 anos da série histórica o Vale registra menos de 10 mortes em confronto com a polícia no primeiro semestre. O ano mais pacífico foi 2012, com apenas um óbito.

DORIA

Durante o governo João Doria (PSDB), nos últimos três anos, a quantidade de mortes em confronto com a polícia explodiu no Vale, alcançando 57 óbitos apenas somando i resultado do primeiro semestre de cada ano, 78% de aumento comparado ao período anterior e maior número da história.

Durante a campanha ao governo de São Paulo, em 2018, o então candidato Doria causou polêmica ao dizer que “se bandido reagir, vai para o cemitério”. Ele foi criticado por se alinhar ao então candidado Jair Bolsonaro, que concorria à presidência e pregava o conceito de ‘bandido bom é bandido morto’.

Para Leonardo Carvalho, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, estimular o confronto é uma “linha policial ineficiente”.

“A inteligência policial é o caminho mais inteligente para obter resultados. É preciso avaliar o treinamento dos policiais e a investigação dos casos de morte”.

OUTRO LADO

Em nota, a SSP disse que o compromisso das forças de segurança no Estado de São Paulo é com a vida, razão pela qual “medidas para a redução de mortes são permanentemente estudadas e implementadas pela SSP”.

“A quantidade de pessoas mortas em confronto com policiais em serviço vem caindo de maneira consistente no Estado. Junho de 2021 completou 13 meses de queda consecutiva neste índice. A redução nos seis primeiros meses deste ano foi de 36,88%, nas polícias Civil e Militar, se comparado a igual período do ano passado.”

Disse ainda que “todas as ocorrências de morte decorrente de intervenção policial são analisadas pelas instituições policiais, rigorosamente investigadas e comunicadas ao Ministério Público”.

E completou: “Também são implementadas medidas visando a aprimorar os protocolos e procedimentos operacionais e administrativos. Além do trabalho de gestão interna, as forças de segurança investiram em meios tecnológicos para mitigar as ocorrências com resultado morte, como a implementação das câmeras corporais nos uniformes dos policiais militares e o uso de equipamentos de menor potencial ofensivo”.

Comentários

Comentários