Na História, marchou-se pela independência do país com Dom Pedro e sua tropa cruzando o Vale do Paraíba rumo ao Ipiranga. A cena fará 200 anos em 2022.
Nos dias de hoje, um golpe travestido de independência ameaça a democracia brasileira.
"Bolsonaro é a ruptura", diz frase em grupos bolsonaristas derivada de carta do ex-deputado Roberto Jefferson, preso a pedido da Polícia Federal e por ordem de Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
Chamando os ministros do STF de "abutres" e se denominando "preso político", Jefferson se tornou 'lugar-tenente' do bolsonarismo radical. Foi preso por atuação em milícia digital, que promove ataques à democracia.
A carta dá o tom das manifestações em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) convocadas para 7 de Setembro, em todo o país.
O que poderia ser apenas desfile da militância bolsonarista, com o conhecido discurso autoritário e antidemocrático, ganhou nova e preocupante dimensão após estímulo à participação de policiais militares. E a convocação parte até de militares da ativa.
POLÍCIA
Em São Paulo, na última semana, o coronel Aleksander Lacerda foi afastado do comando do CPI-7, em Sorocaba, após postagens em defesa de manifestação a favor de Bolsonaro. Ele também fez ataques e ofensas a integrantes do STF, ao Congresso e ao governador João Doria (PSDB).
O comando da PM o convocou a prestar esclarecimentos. Por lei, policiais militares da ativa não podem ter atividades político-eleitorais.
"Foi um fato pontual. O coronel teve um comportamento inadequado e rompeu com a disciplina", disse Doria no Roda Viva, da TV Cultura.
Em reunião com 24 governadores, Doria alertou seus colegas para o risco de ações antidemocráticas e ataques às instituições em 7 de Setembro.
"Já houve precedentes. É preciso ter cuidado. As milícias bolsonaristas estão agindo com força redobrada com vistas às manifestações de 7 de Setembro", disse o tucano.
"Temos a inteligência da Polícia Civil que observou movimentos muito intensos dessas redes bolsonaristas estimulando medidas mais duras, inclusive agressões."
No Vale do Paraíba, OVALE apurou que a maior parte das prefeituras cancelou eventos no dia 7 de setembro por causa da pandemia. Nos maiores municípios, as convocações a atos pró e contra Bolsonaro estão sendo monitoradas. O intuito é evitar confrontos.
"As secretarias de Segurança e Trânsito estão atentas porque acompanham", informou a Prefeitura de Taubaté.
Em nota, a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) informou que “os policiais militares da ativa são proibidos de participar de eventos de caráter político-partidário”.
“Toda e qualquer denúncia de descumprimento das normas vigentes são rigorosamente apuradas e punidas, se confirmadas. As forças policiais atuam diuturnamente para garantir os direitos e a segurança de todos”, completou.
BRASIL
Por todo o Brasil, militares da reserva têm ido às redes sociais inflamar os atos, dizendo que vão "entrar no Congresso e no STF", como fez um coronel no Ceará.
"Ataques a pilares da democracia são antidemocráticos e autoritários", disse o historiador Carlos Fico. "O risco que vejo é de rebeliões com leniência das polícias militares".
Em seu discurso, Bolsonaro tenta revestir os atos antidemocráticos como defesa da própria democracia: "Estamos sendo sufocados por minoria".
Independência ou golpe?