Há quem diga que há mentiras para o bem. Um elemento que tem impacto quase que absoluto na percepção da realidade, no entanto, não deve ser tratada como algo mundano. Seja uma mentira para o bem ou para o mal, sua construção é um dilema pautado pela própria consciência. Quando perdida neste mar, a mentira navega à deriva quando não está agarrada a sua principal aliada: a convicção.
"A Mentira", peça de teatro que teve estreia nacional nesta última quinta em São José dos Campos, é uma comédia sobre a arte de esconder as coisas, seja para proteger aquelas pessoas que amamos, ou não.
Na trama, a personagem Alice (Zezé Polessa) surpreende na rua o marido de sua melhor amiga com outra mulher. Em um dilema sobre contar ou não o que viu, marido Paulo (Miguel Falabella) tenta convencê-la a esconder a verdade. Em meio essa situação complicada, Alice passa a se questionar se o marido quer defender o marido ou se também tem algo a esconder.
"Eu nunca consegui falar uma mentira para o bem. Se consegui, quando era mais jovem, me senti muito mal depois, me lamento não ter tido coragem para dizer a verdade. A omissão também é considerada uma mentira. Mentira do bem não existe", afirma Zezé em entrevista ao OVALE.
O espetáculo "A Mentira" é do autor francês de Florian Zeller, ganhando sua primeira montagem brasileira pelas mãos de Miguel Falabella, que estrela a obra ao lado de Zezé Polessa, Karin Hils e Frederico Reuter. A peça abre um diálogo instigante sobre fidelidade, honestidade e a realidade da monogamia em casamentos, dosando momentos tensos com comédia.
"'A Mentira' é uma comédia deliciosa, sobre a relação muito louca entre dois casais. O interessante é que você assistindo nunca sabe na verdade o que essas pessoas estão pensando, para onde elas vão e o que elas pretendem", disse Miguel Falabella.
Além de avaliar os comportamentos dos personagens, a plateia se vê convidada a refletir sobre assuntos espinhosos sobre fidelidade e relacionamento ao lado de quem se ama. "O teatro é uma coisa muito de casal. Com certeza os casais vão sair conversando sobre, e isso vai dar onde na relação?. Eu acho isso bom", riu Zezé.
Para ela, a comédia pode facilitar a reflexão sobre assuntos que não são tão fáceis de engolir.
"A maneira que passamos isso na peça é muito divertida. O riso e a comédia fazem as ideias entrarem com mais facilidade em nossas mentes, é uma espécie de vaselina (risos).", completa a atriz.
SERVIÇO.
A peça está em cartaz no Teatro Colinas (Shopping Colinas - Av. São João, 2200), em São José dos Campos, até o dia 13 de julho. Nesta semana, haverá sessões neste sábado e domingo, e a partir desta quinta-feira (11), sempre às 21h. O ingressos vão de R$ 60 (meia-entrada) a R$ 120 (inteira) na plateia..