O compositor, cantor, dramaturgo e escritor carioca Chico Buarque, de 74 anos, foi o ganhador do 31º Prêmio Camões. O prêmio, concedido no último dia 21, levou em consideração o conjunto da produção literária do artista.
Considerado o principal prêmio de literatura em língua portuguesa, o Camões foi instituído em 1989 numa parceria entre Brasil e Portugal.
De acordo com o Ministério da Cultura de Portugal, a premiação reconhece anualmente o "escritor cuja obra contribua para a projeção e o reconhecimento da língua portuguesa"e por seu caráter multifacetado, uma vez que o artista escreve romances, peças teatrais e canções.
"Seu trabalho atravessou fronteiras e mantém-se como uma referência fundamental da cultura do mundo contemporâneo", afirmaram os jurados.
O resultado deste ano foi anunciado pela Biblioteca Nacional por meio de suas redes sociais, após reunião do júri, na sede da biblioteca no Rio de Janeiro.
O júri - indicado pela Biblioteca Nacional do Brasil, Ministério da Cultura de Portugal e pela comunidade africana - foi formado por Manuel Frias Martins, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e presidente da Associação Portuguesa de Críticos Literários; Clara Rowland, professora associada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; Antonio Cícero, ensaísta brasileiro e poeta; Antonio Hohlfeldt, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; Ana Paula Tavares, poeta angolana e professora universitária em Lisboa; e Nataniel Ngomane, professor da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane em Moçambique.
Chico Buarque vai receber 100 mil euros (cerca de R$ 450 mil) pelo prêmio.
Letras.
O artista estreou como escritor de ficção em 1974, com a novela "Fazenda Modelo". Em 1979, publicou o livro infantil "Chapeuzinho Amarelo".
O primeiro romance, "Estorvo", foi lançado em 1991. Quatro anos depois, ele lançou o segundo "Benjamin". Em 2003, publicou "Budapeste"; em 2009, "Leite Derramado" e em 2014, "Irmão Alemão".
Chico escreveu ainda as peças de teatro "Roda Viva" (1968); "Calabar" (1972); "Gota D'Água" (1974) e "Ópera do Malandro" (1978).
O autor é o 13º brasileiro a receber o prêmio que já foi conferido, entre outros, a Raduan Nassar (2016), Ferreira Goulart (2010), Lygia Fagundes Telles (2005) e Jorge Amado (1994)..