Homem "que é homem" não deve manifestar seus sentimentos. Aliás, chorar nem pensar! Nada de demonstrar fraqueza, medo, vulnerabilidade ou ter qualquer outro comportamento visto como "feminino". A pena caso ele cometa esses "erros"? Ter sua reputação manchada.
Os padrões vigentes de masculinidade, construída há décadas pela sociedade patriarcal, e que afetam desde cedo os meninos têm nome: Masculinidade Tóxica. Entre os conceitos mais buscados no Google nos últimos tempos, o assunto tem ganhado força junto a outras pautas relacionadas à igualdade de gênero e diversidade.
Acha exagero? Que homem nunca foi chamado de "gay" ou "afeminado" por demonstrar um sentimento? No contexto em que tais palavras são ditas, assumem um tom pejorativo. O resultado: opressão.
São esses ideais de masculinidade que aprisionam os homens e não permite que eles descubram e expressem a sua personalidade real.
"A preocupação com os efeitos que papéis sociais rígidos têm na vida das pessoas de modo geral é legítima. Esses papéis criam uma carapaça que interfere nas decisões mais corriqueiras e afetam nosso bem-estar e a espontaneidade de nosso comportamento", afirmou Humberto Pereira da Silva, professor de filosofia na FAAP.
"A masculinidade tóxica é nociva porque a rigidez na postura e expectativa de comportamentos potencializa as mais diversas reações. Do mesmo modo que a sociedade cobra do homem certos comportamentos, a realização destes traz em contrapartida efeitos que se voltam para o próprio homem e, por conseguinte, o meio social em que vive", continuou.
Estatísticamente, inclusive, é possível medir os efeitos colaterais dessa masculinidade.