O bebê que havia sido operado para se corrigir uma gastrosquise, má-formação congênita há três dias, nasceu nesta quarta-feira em parto cesárea. O procedimento, feito ainda no útero da mãe, é inédito em todo o mundo. O bebê, do sexo feminino, nasceu no início da tarde com 1,980 quilos e 44 centímetros, ele e a mãe, moradora de São José dos Campos, passam bem.
A criança, por protocolo, inicialmente ficará na UTI (Unidade de Cuidados Intensivos Neonatal) do HCM (Hospital da Criança e Maternidade), de São José do Rio Preto
A perspectiva é que o bebê possa ser amamentado o mais breve possível.
De acordo com a assessoria do hospital, a equipe médica decidiu fazer o parto ao realizar exame na mãe, na manhã desta terça-feira, e diagnosticar que uma pequena parte do intestino havia saído novamente para fora abdômen do feto.
"Embora tenha havido a necessidade de se realizar o parto, ainda assim a fetoscopia foi considerada um sucesso, pois a cirurgia realizada ao nascimento foi menos complexa, quando comparada à cirurgia convencional", afirmou o médico Gustavo de Oliveira, do HCM.
O médico ressalta que os pais, ao decidirem pela fetoscopia, tinham ciência da possibilidade de que poderia realizar o parto antecipadamente, e concordaram. A perspectiva da equipe médica era levar a gestação ao mais próximo possível da data prevista para o parto.
CIRURGIA.
A correção da gastrosquise do feto, há três dias, foi o primeiro procedimento deste tipo realizado no mundo. O procedimento foi justamente para corrigir a gastrosquise, a abertura nos músculos e na pele da parede abdominal que permitiu que o intestino ficasse para fora do abdômen. Até então, médicos em todo o mundo só haviam operado pacientes com este mesmo quadro logo após o nascimento.
O médico Gregório Lorenzo Acácio, da Unitau (Universidade de Taubaté), participou da operação no feto, que tinha 33 semanas.
De acordo com os médicos, a vantagem do procedimento é o fato de o bebê nascer sadio, o que permite mamar imediatamente no seio da mãe e ter alta hospitalar em três dias.
Já o bebê que se submete à cirurgia de correção da gastrosquise após o nascimento tem as alças intestinais muito inflamadas, o que o impede de mamar e precisa permanecer, em média, 30 dias internado, recebendo nutrição parenteral.n