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Moro: 'Não tenho apego ao cargo. Se houver irregularidades, eu saio'

Por Alex RodriguesAgência Brasil |
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Saída. Ele afirma que, se tiver irregularidade, deixa cargo
Saída. Ele afirma que, se tiver irregularidade, deixa cargo

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, disse nesta quarta-feira que aceitou o convite para ocupar um posto no governo federal em novembro de 2018, com o propósito de consolidar o trabalho que vinha sendo realizado pela força-tarefa da Lava Jato, que apura casos de corrupção.

"Nós trabalhamos por cinco anos nestas operações anticorrupção", disse o ministro ao participar de audiência da CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado, referindo-se ao trabalho de magistrados e de procuradores da República. Ele foi à comissão para se defender sobre as supostas mensagens trocadas com procuradores da Lava Jato quando ainda era juiz em Curitiba. O material foi revelado pelo site The Intercept Brasil.

Cópias das supostas conversas mantidas por meio de um aplicativo de troca de mensagens por celular foram entregues por uma fonte anônima ao site que, desde o dia 9 de junho, vem publicando reportagens com base nos diálogos atribuídos ao ministro e aos procuradores, entre eles, o coordenador da força-tarefa, o procurador Deltan Dallagnol.

O ministro afirmou ainda que sai do ministério se houver irregularidade da parte dele. A afirmação do ministro foi em resposta ao senador Jaques Wagner (PT-BA). Ele perguntou se Moro "pensa em se afastar do cargo para não prejudicar as investigações se ela for para a Polícia Federal". "Se houve irregularidade de minha parte, eu saio. Mas não houve. Eu sempre agi na lei, de maneira imparcial", respondeu Moro.

CONVERSAS.

Moro afirmou que conversas entre juízes de direito, procuradores, promotores, policiais e advogados são normais. Segundo o ministro, isso se deve, em parte, ao sistema processual adotado no Brasil. "No sistema brasileiro, o juiz atua já na fase de investigação, autorizando diligências requeridas pela polícia ou pelo Ministério Público. Depois, [este mesmo juiz] atua na fase da ação penal, autorizando novas diligências [requeridas] não só pela polícia ou pelo Ministério Público, mas também pela defesa", disse.

"São normais conversas entre juízes, procuradores, policiais e entre advogados. A questão do [uso do] aplicativo [Telegram] foi apenas [para possibilitar] uma troca de mensagens mais rápida - se é que estas mensagens são de todo autênticas".

O próprio ministro tomou a iniciativa de ir ao Senado para apresentar sua versão sobre as supostas conversas que teria mantido com integrantes da força-tarefa quando ainda era juiz da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, onde são julgados os processos da Lava Jato que tramitam no Paraná..

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