Apenas quatro países no mundo adotam o modelo de votação conhecido como "distritão", aprovado na noite desta terça-feira na comissão especial da Câmara como modelo de votação na primeira etapa da reforma eleitoral. Caso o sistema seja aprovado, o Brasil se junta às Ilhas Pitcairn e Vanuatu, no Pacífico Sul, à Jordânia e ao Afeganistão. Criticado por especialistas por favorecer nomes conhecidos, o distritão tende a diminuir o peso dos partidos e acabar com os puxadores de voto.
Uma lista com 200 países elaborada pelo International Institute of Democracy (Idea) mostra que 38% deles usam o modelo proporcional, que leva em conta os votos dos partidos para definir quem é eleito. Outros 39% utilizam o sistema distrital, em que estados são divididos em distritos e é eleito o mais votado em cada um deles. Já o distritão é adotado em apenas 2% dos países.
Para o cientista politico Malco Braga Camargos, da PUC-Minas, além de diminuir a influência dos partidos nas eleições e na organização politica do Congresso, o distritão faz com que as campanhas sejam mais caras e personalistas.
— Esse sistema eleitoral é bem simples, de fácil entendimento e põe fim aos puxadores de voto. Porém, atrás desta simplicidade e desta única vantagem, tem algumas consequências: o fim do peso dos partidos; todos os candidatos concorrem contra todos e; as campanhas eleitorais ficam mais caras e personalistas. No mundo dos negócios, dizemos que fazemos benchmarking quando acompanhamos o que tem sido feito de bom pelos concorrentes. Ao trazer esse conceito para a política o Brasil está fazendo benchmarking nos países onde o Distritão já é adotado. Boa coisa não vem por ai — explica Camargos.
Na primeira etapa da reforma eleitoral, a comissão especial da Câmara aprovou a adoção do distritão e a volta das coligações proporcionais. Agora, caberá ao plenário da Casa votar qual dos dois modelos valerá para o ano que vem. Se nenhum dos dois for aprovado, segue o sistema atual, num modelo proporcional, mas com veto às coligações partidárias.