O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou nesta quinta que não pretende demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em meio à pandemia do coronavírus. Mas admitiu que os dois vêm se "bicando"
"Não pretendo demiti-lo no meio da guerra, mas em algum momento ele extrapolou. Sempre respeitei todos os ministros. A gente espera que ele dê conta do recado. Não é uma ameaça para o Mandetta. Nenhum ministro meu é 'indemissível', como os cinco que já foram embora", afirmou Bolsonaro em entrevista à rádio Jovem Pan.
"Em alguns momentos, acho que o Mandetta teria que ouvir mais o presidente. Ele disse que tem responsabilidade, mas ele cuida da saúde, o (Paulo) Guedes da economia e eu entro no meio. O Mandetta quer fazer valer muito a vontade dele. Pode ser que eles esteja certo, mas está faltando humildade para ele conduzir o Brasil neste momento."
Ainda segundo ele, "aquela histeria, aquele clima de pânico, contagiou alguns lá [dentro do Ministério da Saúde]". "Já está no momento de todo mundo botar o pé no chão".
MEDINHO.
Mais cedo, ele já tinha voltado a criticar governadores e as medidas de isolamento criadas para evitar a disseminação do novo coronavírus. O presidente disse duvidar que eles saíssem às ruas, porque têm "medinho" da doença, que se aproxima de 300 mortes no Brasil e já infectou quase 8.000 pessoas.
"Eu fui em Ceilândia e Taguatinga no fim de semana e fui massacrado pela mídia. Duvido que um governador desses [de São Paulo, João] Doria, [de Santa Catarina, Carlos] Moisés, vá no meio do povo. Tá com medinho de pegar vírus?", disse Bolsonaro.
Depois de adotar um tom mais brando em pronunciamento oficial na última terça-feira, dizendo que o país vive "o maior desafio" da atual geração, o presidente voltou a minimizar os impactos do novo coronavírus, que já matou 50 mil pessoas pelo mundo e tem mais de um milhão de casos confirmados.
Ele voltou a criticar as medidas de distanciamento e pediu a normalização dos empregos. "Não pode deixar de trabalhar. Vamos cuidar dos idosos...", afirmou..