Mantido no cargo após recuo de Jair Bolsonaro (sem partido) em sua decisão de demiti-lo nesta segunda-feira, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que 'médico não abandona paciente' e pediu melhoria no ambiente de trabalho para desempenhar sua função.
Em entrevista coletiva na noite desta segunda, minutos depois de uma reunião entre ministros no Planalto, Mandetta afirmou que chegou a limpar as gavetas de seu gabinete. Bolsonaro havia decidido exonerá-lo, após uma série de críticas sobre a atuação do ministro durante a pandemia do coronavírus, e teria até decidido colocar o deputado federal Osmar Terra (MDB), ex-ministro da Cidadania, na função.
"Não temos receio da crítica, a crítica construtiva nos enobrece, faz rever e dar passos para frente. Temos muita dificuldade quando, em determinadas situações e por determinadas impressões, as críticas não vêm no sentido de construir, mas no sentido de trazer dificuldade no ambiente de trabalho", afirmou.
"Tinha gente aqui dentro limpando gaveta, pegando as coisas. Minhas gavetas, vocês ajudaram a fazer a limpeza das minhas gavetas", disse o ministro.
Mandetta, que voltou a reforçar a recomendação de isolamento oficial, afirmou que as grandes cidades não estão prontas para uma 'escalada de casos' do novo coronavírus, que já matou mais de 500 pessoas e tem 12 mil casos confirmados no Brasil. "Procuramos ser a voz da ciência e não somos donos da verdade", disse, na entrevista.
A notícia de que Bolsonaro preparava a exoneração de Mandetta vazou ao longo do dia, e fez o presidente voltar atrás após repercussão negativa e pressão do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal).