Diálogos mostram que procuradores da Lava Jato se mobilizaram para buscar dados até na Suíça que incriminassem o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) para pedir sua suspeição ou impeachment. As mensagens foram publicadas na tarde desta terça pelo site do jornal El País, em conjunto com o The Intercept Brasil.
De acordo com os diálogos, a prisão do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, que é de Taubaté, tido como o operador financeiro do PSDB, levou o grupo a buscar possíveis ligações entre o preso e o ministro. Coordenador da força-tarefa no Paraná, Deltan Dallagnol disse que havia um boato em São Paulo que parte do dinheiro de Preto mantido em contas no exterior seria de Gilmar.
Para os procuradores, o ministro da STF foi indicado por Aloysio Nunes, que foi ministro-chefe da Secretaria-geral da Presidência da gestão Fernando Henrique Cardoso entre 1999 e 2001. Em 2002, quando foi nomeado à Corte Superior, Gilmar era advogado-geral da União.
Assim, os procuradores teriam se mobilizado para apurar e tabelar decisões e acórdãos do ministro e planejaram acionar investigadores na Suíça para tentar reunir dados contra Gilmar, mesmo que isso fosse extrapolar as competências institucionais da Lava Jato..