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"Portugal é um lugar de muitíssimo maior justiça social do que o Brasil", diz escritor Valter Hugo Mãe

Por Thais Perez@_thaisperez |
| Tempo de leitura: 2 min
Reconhecimento. Escritor Valter Hugo Mãe é ganhador do Prêmio Literário José Saramago
Reconhecimento. Escritor Valter Hugo Mãe é ganhador do Prêmio Literário José Saramago

Dos portugueses, o escritor Valter Hugo Mãe é um dos mais brasileiros. Ele afirma que, se fosse impedido de entrar no Brasil nunca voltaria para seu país natal inteiro. Apesar de ter nascido na Angola, viveu na cidade de Porto, em Portugal, desde pequeno.

Em turnê pelo Brasil, o escritor lançou recentemente no país três títulos inéditos de uma vez só, "O Nosso Reino", "As Mais Belas Coisas do Mundo" e "Contos de Cães e Meus Lobos". Todos eles com uma coisa em comum: a reflexão sobre a solidão.

Aqui, no Brasil, Valter Hugo Mãe pode não se sentir tão só assim. Perdeu as contas de quantas vezes veio ao país e já não se considera forasteiro. "Não sou um estrangeiro normal. Passei aqui muito tempo, li muitos dos seus autores, vi os filmes, ouço a música. Sou uma espécie de brasileiro afetivo", afirma Mãe em entrevista a OVALE.

O autor é um dos grandes nomes que participará da FLIM (Feira Litero Musical), que tem início nesta sexta-feira no Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos. Abrindo o festival, Valter compõe uma mesa literária ao lado da escritora Conceição Evaristo, escritora que ganhou o Prêmio Jabuti "Olhos D'Água", que já foi traduzido por diversos idiomas.

Neste ano, a FLIM tem como tema central o conceito dos diversos "Tus". Itinerante, Valter consegue sintetizar os diversos tipos de português que existem em seus escritos. Conhecido pelos livros "O Filho de Mil Homens" e "A máquina de fazer espanhóis", Valter transita não só pelas camadas de uma língua, mas também pelos gêneros. Escreve poesia, romance, para adultos e para os pequenos.

Em 2007, recebeu o Prêmio Literário José Saramago, das mãos do próprio autor. "Por vezes, tive a sensação de assistir a um novo parto da Língua portuguesa", disse Saramago sobre Valter Hugo Mãe.

MENSAGEM.

Como todo o poeta, Valter tem a sensibilidade de entender nossa gente. Ao analisar a situação atual do país, ele lista uma série de desejos que espera que a população alcance.

"Quero ver este país livre, não explorado, cumprindo sua promessa de paridade e respeito", diz o escritor.

Atualmente, o autor está trabalhando em um novo livro, que será ambientado na Amazônia. Tendo o Brasil como objeto de inspiração, Valter afirma que, em sua última visita, encontrou-se com diversas pessoas angustiadas. "Temem pelo futuro, temem pelos filhos".

"Mesmo em tempo de crise, Portugal é um lugar de muitíssimo maior justiça social do que o Brasil em tempo de esplendor. O Brasil tem um trabalho longo de integração das pessoas das periferias", completa o autor. .

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