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Bolsonaro analisará possíveis vetos a projeto de abuso de autoridade

Por Marcelo BrandãoAgência Brasil |
| Tempo de leitura: 3 min
Na espera. Projeto de abuso de autoridade foi aprovado na Câmara, mas Bolsonaro ainda pode vetar
Na espera. Projeto de abuso de autoridade foi aprovado na Câmara, mas Bolsonaro ainda pode vetar

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira que analisará junto com seus ministros o projeto de lei de abuso de autoridade, aprovado na Câmara ontem. O projeto depende apenas da sanção presidencial para virar lei. O texto engloba atos cometidos por servidores públicos e membros dos três Poderes da República, do Ministério Público, dos tribunais e conselhos de contas e das Forças Armadas.

Aprovado no Senado em junho, o texto prevê a criação do crime de caixa 2, de compra de votos e o aumento de pena para o crime de corrupção, tornando a prática hedionda em alguns casos. Atualmente considerada crime eleitoral e não penal, com penalidade inferior à aplicada a outros crimes e passível de prescrição no prazo de um mandato, a prática de caixa 2 em campanha eleitoral poderá ser tipificada como crime.

Pelo projeto de lei, poderá ser considerado abuso de autoridade obter provas por meios ilícitos; executar mandado de busca e apreensão em imóvel, mobilizando veículos, pessoal ou armamento de forma ostensiva, para expor o investigado a vexame; impedir encontro reservado entre um preso e seu advogado; e decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado sem intimação prévia de comparecimento ao juízo.

No total, a proposta apresenta 37 ações que poderão ser consideradas abuso de autoridade

"[O projeto] vai chegar na minha mesa semana que vem. Os ministros vão, cada um, dar sua opinião, sua sugestão de sanção e alguns vetos. E vamos tomar a decisão de forma bastante tranquila e serena", disse o presidente após evento no Clube Naval de Brasília.

Questionado sobre sua opinião a respeito do tema, o presidente concordou que há abuso de autoridade, e exemplificou com o processo a que respondeu por ter dito à deputada Maria do Rosário (PT-RS), em 2014, que ela "não merecia ser estuprada". "Tem autoridade que pratica abuso. Eu sou réu por apologia ao estupro. Alguém me viu alguma vez [dizer] que se deve estuprar alguém no Brasil?", disse.

"Existe abuso, somos seres humanos. Logicamente não se pode cercear os trabalhos das instituições, mas a pessoa tem que ter responsabilidade quando faz algo e fazer baseado na lei", acrescentou.

REPERCUSSÃO.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes disse nesta quinta que a lei de abuso de autoridade, aprovada pela Câmara dos Deputados, não está voltada para uma determinada categoria e deverá ser aplicada contra parlamentares, delegados, promotores, juízes, inclusive ministros de tribunais superiores.

Segundo o ministro, a atualização da lei era um "remédio necessário" para combater abusos. A legislação atual está em vigor desde 1964.

O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro João Otávio de Noronha, disse nesta quinta-feira não ter "nada a temer" em relação à lei de abuso de autoridade aprovada quarta na Câmara, e que o juízes precisam ter limites em sua atuação como qualquer outra autoridade. "A lei é para todos. E nós também, juízes, temos que ter limites na nossa atuação, assim como têm os deputados, o presidente da República, como têm os ministros do Poder Executivo"..

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