Em evento com discursos políticos em tom superior aos usualmente proferidos nesta sexta-feira no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) comparou o programa social Bolsa Família a uma espécie de condução coercitiva do PT (Partido dos Trabalhadores) com objetivos eleitorais.
"Eu lembro que, num debate de 2014, uma candidata bateu no peito e disse que 'no nosso governo 50 milhões de pessoas vivem do Bolsa Família'. Obviamente, muita gente humilde necessitava até disso daí. Mas outra parte, não. Porque não era também estimulada a sair desse tipo de condução coercitiva, vamos por assim dizer", declarou Bolsonaro, em referência à Dilma Rousseff (PT), presidente da República à época, que disputava a reeleição.
A condução coercitiva acontece quando uma pessoa precisa ir prestar esclarecimentos sobre algo, mesmo contra a sua vontade, por determinação de autoridade judicial.
Segundo Bolsonaro, "para esses que até há pouco dominavam o país", era importante que pessoas pobres e sem estudo formal tivessem em "uma das mãos o título de eleitor e, na outra, o cartão de um programa assistencial". Em seguida, defendeu que apenas a educação pode tirar a população da miséria.
"Em alguns casos [os programas] são necessários até pela idade e pela condição da pessoa, mas não podemos crescer pensando nisso", afirmou.
Ao longo do discurso, ele fez mais críticas aos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e avaliou que, apesar dos supostos esforços negativos dessas gestões, "alguns garotos conseguiram se liberar dessa cangalha imposta pela esquerda no Brasil".
Em determinado momento, citou que, se o evento fosse há quatro anos, quando Dilma estava no poder, "talvez tivéssemos dois homens se beijando aqui na frente". Depois, falou ter "nada contra quem quer ser feliz com parceiro igual a si", mas que o governo não pode "impor isso daí" e criticou livros didáticos que supostamente estimulariam crianças ao sexo de forma precoce.
Ele voltou a afirmar que a Argentina poderá se encontrar na mesma situação que a ditadura venezuelana no futuro se a chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner vencer as eleições presidenciais deste ano --uma prévia eleitoral já foi ganha pela dupla..