Diálogos entre procuradores da Operação Lava Jato mostram que integrantes da força-tarefa de Curitiba trataram a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, como um entrave na operação e que planejaram minar sua imagem por meio de vazamentos de informação na imprensa.
As mensagens foram publicadas na tarde desta sexta pelo site do jornal El País, em conjunto com o The Intercept Brasil e indicam que a chefe do Ministério Público era vista como uma espécie de inimiga da operação. Para os procuradores, sua morosidade em homologar os acordos de delação, como o do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, atrapalhava as investigações. A proximidade dela com o ministro do STF Gilmar Mendes também é criticada.
Em um dos chats, os procuradores reclamam que Dodge sairia de férias entre 3 e 17 de julho, sem resolver "pendências" relacionadas ao acordo. No dia 29 de junho de 2018, o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, havia proposto aos seus colegas, pressionar Dodge "usando" a imprensa "em off", passando informação a jornalistas sem se identificar.
Segundo o El País, a assessoria de imprensa da PGR afirmou que "não se manifesta acerca de material de origem ilícita" ou sobre acordos de delação, "que possuem caráter sigiloso"..