Subir ao palco, receber o canudo, posar para foto e uma simples confraternização... Se antigamente a festa de encerramento de um ciclo estudantil era o máximo que um formando esperava, hoje, eventos milionários tomaram conta do setor. É que nos últimos anos, o rito de passagem da vida de estudante para a profissional tornou-se um luxuoso protocolo quase indispensável para recém-formados e seus familiares.
Em São José dos Campos, alguns dos bailes de formatura que aconteceram após a colação de grau chegam a reunir cerca de 1.000 convidados em festas que podem custar até R$ 4 milhões. Atuando neste segmento há 30 anos, a Promover Formaturas já realizou mais de um milhão de eventos na região. “Por ano, a empresa faz uma média de 300 celebrações. Normalmente, os alunos que mais investem em festas são aqueles que cursam medicina, odontologia e direito”, contou Alexandre Dias, diretor de marketing da empresa.
De acordo com o especialista, atualmente o mercado (acredite!) tem mais fôlego com as turmas de ensino médio. “Os universitários estão começando a vida profissional, ou seja, quando eles optam por ter o baile, normalmente preferem um evento mais enxuto e bem especifico” disse Dias. O especialista também afirma que a diferença entre os pacotes de formatura de uma turma do segundo grau para os de uma faculdade é pouca. É o nível da festa que determina qual será o orçamento aplicado no evento.
Na ponta do lápis.
Com o mercado cada vez mais aquecido, as empresas especializadas trazem inovações, como sessões de fotos em ambientes que imitam os da profissão dos formandos até a exposição de uma Ferrari, com equipamentos de videogames e jogos na temática Fórmula 1.
“Já produzimos uma festa para uma turma de medicina que ficou cerca de R$ 4 milhões. Foram 10 horas de comemoração, com trio elétrico, caricaturista ao vivo, malabaristas que desciam do teto, carro Limousine para levar os formandos até o baile”, contou Dias.
Ele também recorda de um evento que custou 2,5 milhões de reais, realizado para os alunos de odontologia. “Foram dois dias de agitação. Teve banda, DJ e trio elétrico. Em apenas um dia o festejo durou nove horas”, lembrou ele.
Memória sem preço
A administradora, Milene Goiozo, de 34 anos, afirma que, apesar da dificuldade de pagar durante 24 meses o seu baile, que custou uma média de R$ 4 mil, valeu cada centavo. “Fazer um curso superior é muito gratificante, mas também é exaustivo. São muitos percalços pelo caminho como trabalhar e estudar ao mesmo tempo, cuidar de filho, de casa. Ou seja, quando este ciclo chega ao fim, rola um sentimento de dever cumprido. Tem que ser celebrado”, afirmou.
Na ocasião, a administradora pode realizar outro feito, que lhe causou muito orgulho. “Minha mãe e meus tios nunca tinham ido em um baile de formatura. Foi muito bom vê-los até as ‘seis da matina’ se divertindo! Todos comentam até hoje sobre aquela noite. Além disso, estar ao lado das pessoas que são especiais em momentos marcantes - como na hora de receber o canudo - é algo que fica para sempre na memória”, finalizou.