Entre guarda sóis coloridos, som alto e selfies à beira mar, a cultura caiçara passa quase despercebida pelos turistas que vão ao Litoral Norte durante a alta temporada.
Para resgatar a cultura do caipira da praia, o casal de atores Henrique Cardim e Jessyca Biazini criaram o Projeto Museu Vivo, que consistem em uma performance de estátuas vivas, que mistura estatismo, artes visuais, museologia e história.
Com os personagens O Pescador, A Paneleira, O Agricultor, A Artesã, O Congadeiro, A Benzedeira, O Canoeiro e O Mestre da Folia de Reis, o Museu Vivo se apresenta em espaços públicos de Ilhabela e São Sebastião.
De acordo com os organizadores, o projeto surgiu em um momento em que se falava muito no litoral em resgate das tradições e na construção de um prédio para ser o museu de cultura caiçara.
Foi essa questão que provocou os artistas. "A cultura caiçara está viva, está nas ruas e não deve ficar somente em um prédio. O caiçara vive e o impacto de sua cultura está no peixe que comemos, na panela feita à mão, na banana colhida, no nosso jeito de ser e de fazer. Não queremos nossa cultura apenas dentro de um espaço fechado", afirma a atriz Jessyca.
Na performance, que é feita por seis atores da Cia. O Castelo das Artes. Eles se transformam em estátuas pintadas com pigmentos à base da terra da região, além de acessórios e instrumentos usados por caiçaras da região.
Juntos, os atores produzem uma técnica inédita, que mistura dramaturgia e estatismo. Técnicas corporais são necessárias para que os participantes aguentem a performance de cerca de 3 horas.
"As belezas naturais do Litoral e da cultura caiçara sempre causaram contemplação em quem vem de fora nos visitar e nosso objetivo é justamente trazer esse encantamento para a obra", disse Jessyca.
REAÇÃO.
Em 2009, o casal de atores percorriam as ruas do litoral com a apresentação da estátua viva O Pescador. Enquanto Henrique Cardim fazia suas performances, Jessyca acompanhava toda a reação do público e começou a desenvolver a ideia do museu vivo.
A limitação de apresentações de arte na rua nos municípios do Litoral Norte também foi um ponto de discussão para realizar a performance.
"O caiçara tem uma sabedoria a mais, que eu acredito que seja causada pelas marés. Nossas raízes não estão perdidas precisam ser respeitadas", finaliza a artista..