O fôlego que a indústria da RMVale esperava conseguir com a reforma trabalhista não veio e, dois anos após a aprovação, o saldo de postos de trabalho no setor industrial caiu em 1.940 vagas, recuo de 1,95% no período.
Se percentualmente parece pouco, o número de trabalhadores fora do mercado nesses dois anos equivale a uma grande metalúrgica da região ou quase à metade dos empregados da General Motors em São José dos Campos.
O levantamento foi feito por OVALE com dados do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).
"Falta de política industrial no Brasil dificulta o processo de recuperação", avaliou o economista Edson Trajano, pesquisador do Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais), da Unitau (Universidade de Taubaté).
"O Vale é uma das regiões do país com maior peso da atividade industrial, e a ausência dessa política atinge diretamente a região."
Em outubro de 2017, um mês antes da aprovação da reforma, as indústrias da região empregavam 99.601 trabalhadores formalmente, segundo os dados do Ciesp. Em outubro de 2019, o saldo caiu para 97.661 empregados.
Apenas nos últimos quatro meses, de julho a outubro deste ano, as indústrias do Vale acumulam um saldo negativo de 850 postos de trabalho fechados.
Levando-se em conta os 10 primeiros meses do ano, o saldo é de -1.350 postos de trabalho industriais, subindo para -2.000 nos últimos 12 meses.
Para Trajano, o governo precisa dar sinais mais claros sobre a política industrial para o país. "Tínhamos um Ministério de Indústria que foi anexado para a Economia, e falta espaço de discussão de política industrial no país"..