O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, afirmou nesta quinta-feira que "não existe isso" de intervenção militar. A declaração foi dada quando questionado sobre postagens nas redes sociais que defendem a pauta da intervenção militar nas manifestações marcadas para 15 de março. "Não, não existe isso. Não, não existe isso não", declarou.
Há parcela dos apoiadores que também defende o fechamento do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal).
Na terça, foi revelado que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) repassou vídeos de apoio aos protestos para amigos pelo WhatsApp, embora sem apoio explícito a essas ações.
Presidentes de outros Poderes, como o da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o do Supremo, Dias Toffoli, pediram respeito à ordem constitucional, sem citar Bolsonaro nominalmente.
O presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), não se manifestou até o momento. Parte da classe política, inclusive parlamentares de centro e governistas, também repudiou o ato.
Assim como na quarta, Bolsonaro também não se manifestou quando questionado sobre a relação com o Congresso Nacional. Nesta quinta de manhã ele passou duas vezes em frente à imprensa, que o questionou sobre o assunto, mas não quis falar.
RECUO.
Após críticas e falas de juristas sobre crime de responsabilidade, Bolsonaro fez um post em sua página do Facebook em que não negou nem confirmou o compartilhamento, mas afirmou que tem "algumas poucas dezenas de amigos" no aplicativo de mensagens e que "de forma reservada" troca "mensagens de cunho pessoal". "Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República", escreveu o presidente. Junto às falas de Heleno, o episódio gerou forte reação no meio político.
Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, disse que é "uma pena que um ministro com tantos títulos tenha se transformado num radical ideológico contra a democracia, contra o Parlamento".
OPOSIÇÃO.
Líderes na Câmara dos Deputados organizam uma reunião, na próxima terça-feira, às 10h, para articular um posicionamento sobre o vídeo compartilhado por Bolsonaro. O objetivo do encontro é chegar a uma "resposta institucional dura" sobre a convocação feita por Bolsonaro para ato em sua defesa e contra o Congresso Nacional e o STF no dia 15 de março. "Isso não é um problema da oposição, é um problema de todos que defendem a democracia. Estamos chamando todos os partidos da Casa, muito além da oposição", informou a líder da minoria, Jandira Feghali (PCdoB-RJ)..