Ideias

Diego Guardiano - São José dos Campos e a falsa inovação

Por Diego Guardiano, Professor efetivo da Rede Municipal de Ensino e Diretor de Comunicação do Sindicato dos Servidores Municipais |
| Tempo de leitura: 2 min

São José dos Campos é uma cidade que se orgulha de ser um polo tecnológico. Orgulha-se também de ser uma das cidades mais ricas do Brasil. Essa riqueza e tecnologia, no entanto, não está ao alcance da maioria dos cidadãos joseenses.

Vejamos o caso recente dos “professores PD” (contratados por prazo determinado) e dos estagiários da Rede Municipal de Ensino: enquanto o mundo todo repensa as relações de trabalho e se adequa às mudanças impostas pela pandemia, otimizando ao máximo o uso de recursos tecnológicos, o Prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth (PSDB) determinou, o retorno de professores PD e estagiários ao trabalho presencial em sua unidade de lotação.

Segundo o decreto editado no último dia 15, os professores prepararão materiais pedagógicos para que os alunos estudem em casa.

Professores e estagiários não estão se recusando a trabalhar, mas o trabalho que eles desenvolverão na escola não pode ser desenvolvido dentro de suas próprias casas? A gestão municipal não consegue colocar toda essa tecnologia a serviço da proteção dos servidores municipais? Ou estaria o prefeito planejando um desvio de função para estes servidores, já que professores efetivos e equipes gestoras das escolas entrarão em férias no mesmo dia em que os professores PD retornam? Devem os professores se arriscar em troca de seus R$ 14 pagos por hora-aula?

Fala-se muito em valorização dos profissionais da educação, mas a realidade mostra um sistemático processo de sucateamento do magistério municipal nos últimos 10 anos, marcado por baixos salários e planos de carreira pouco atrativos.

A desvalorização do magistério também passa por aquela que é a natureza do conhecimento escolar: o conhecimento científico. Vimos recentemente a maneira desdenhosa com a qual o Prefeito de São José se

referiu ao estudo desenvolvido pela UNESP (câmpus de Botucatu-SP), que aponta a possibilidade de uma explosão de contaminação pela COVID-19 no interior paulista. O Prefeito parece desconhecer completamente como é feita  uma abordagem científica, ou age de má fé, embarcando na atual onda

obscurantista, na qual só valem os conhecimentos pseudocientíficos convenientes para ganhar votos, uma vez que as eleições municipais estão próximas.

A verdade é que não adianta ter tanta riqueza tecnológica disponível se a mentalidade de quem está no comando é arcaica. Inovação se verifica na prática, não em discursos bonitos ou nomes de pontes.

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