Em defesa preliminar apresentada à Justiça, o vereador Jessé Silva (SD) negou ter praticado qualquer irregularidade descrita no processo em que o Ministério Público o denunciou pelo crime de concussão (quando um agente público exige, em razão de sua função, uma vantagem indevida). "Não foi cometido o crime de concussão, nem qualquer outro delito", diz trecho da defesa apresentada à 2ª Vara Criminal de Taubaté, onde a ação tramita desde outubro.
A defesa também alegou que o vereador "sempre atuou de forma honesta, proba, respeitando a lei, e não detém antecedentes criminais", e que "jamais prometeu cargo mediante exigência de vantagem indevida a qualquer um".
À Justiça, o vereador também argumentou que a denúncia se baseia apenas em depoimentos de servidores, e alegou que as conversas com os funcionários da Câmara buscavam "conhecer, entender do trabalho, propor medidas, buscar uma melhor execução do seu trabalho, tudo em consonância com o que determina a lei e função política". A defesa alegou ainda que "o depoimento dos depoentes é de sobremaneira frágil", que não foi apresentada nenhuma prova de que o vereador tenha feito "pedido de contrapartida financeira" e que a denúncia é baseada em "ilação" por parte do MP.
De acordo com o processo, dois servidores de carreira da Câmara confirmaram à Promotoria, em depoimento, que o vereador ofereceu a eles uma espécie de promoção, em troca de parte do acréscimo salarial. Essas conversas teriam ocorrido entre junho de 2018 e janeiro de 2019. No fim de 2018, Jessé foi eleito 1º vice-presidente da Câmara. Em janeiro ele passou a fazer parte da Mesa Diretora, que é responsável justamente pela nomeação de servidores.
Ainda em janeiro, Jessé renunciou ao cargo, alegando problemas particulares. O real motivo, no entanto, segundo apuração da reportagem, seria a insatisfação dos demais vereadores da Mesa Diretora com as propostas feitas pelo parlamentar a funcionários..