Brasil

Uruguaios contam como é a rotina de trabalho durante a pandemia

Por Marieta Cazarré |
| Tempo de leitura: 2 min
Profissional da saúde no Uruguai
Profissional da saúde no Uruguai

Apesar da pandemia do novo coronavírus, os profissionais de serviços essenciais, aquelas atividades que não podem parar, seguem suas rotinas de trabalho. No entanto, muita coisa mudou, a começar pelos cuidados que devem ter para evitar o contágio.

Profissionais de saúde, que trabalham na linha de frente do combate a covid-19, falam sobre medos, preocupações e cuidados não apenas com a saúde dos outros, mas com a própria.

A Agência Brasil conversou com profissionais uruguaios que continuam trabalhando e viram mudanças drásticas em sua rotina no último mês. O país registrou os primeiros casos da doença no dia 13 de março. No mesmo dia, declarou Estado de Emergência Sanitária.

Atualmente são 400 casos confirmados da doença e 5 mortes.

O governo uruguaio não decretou quarentena obrigatória a todos os cidadãos, mas determinou medidas de isolamento social para tentar conter a curva de propagação do novo coronavírus.

As aulas nas escolas de ensino fundamental e médio, por exemplo, foram suspensas a partir do dia 16 de março e não há, até o momento, definição de retorno. As cirurgias eletivas e consultas não urgentes também foram canceladas, num esforço de dar prioridade ao atendimento de pacientes com suspeita de infecção por covid-19. Restaurantes, bares e shoppings foram fechados, podendo funcionar apenas com serviços de entrega. Eventos com aglomeração de pessoas, como shows, cinemas, partidas de futebol e outros esportes, também foram suspensos.

Relatos

Martín Bazzino é um médico uruguaio de 49 anos. Ele conta que a mudança foi drástica em sua rotina de trabalho após a confirmação dos primeiros casos de covid-19 no país. Bazzino trabalha em policlínicas e com atendimento em domicílios.

No Uruguai, os planos de saúde prestam serviços diferentes do Brasil. De maneira geral, oferecem serviços de atendimento telefônico e consultas domiciliares 24 horas por dia, sete dias por semana. Bazzino é um desses médicos, que visita os pacientes e faz o primeiro atendimento ainda na casa da pessoa.

"O que mudou? Acho que tudo. Mudou o planejamento do trabalho, o volume de trabalho, que se multiplicou por três. Depois do coronavírus, suspenderam o trabalho das policlínicas, uma das medidas técnicas que achei muito acertadas para que todos os recursos humanos pudessem ser direcionados às ruas, às visitas em domicílios, como está recomendando o Ministério da Saúde Pública (MSP). Mudaram também as medidas de prevenção que nós temos que ter para atender às pessoas de maneira correta, personalizada, mantendo as medidas de proteção para eles e para nós, ou seja, para as famílias deles e para a nossa também. Temos que cuidar da pessoa que estamos indo assistir e também a nós mesmos, para não nos convertermos em um vetor de transmissão do vírus".

Comentários

Comentários