Antes velada com críticas indiretas, a 'guerra' entre Jair Bolsonaro (sem partido) e João Doria (PSDB) tornou-se um confronto exposto nos últimos dias do mês de março.
Questionado por OVALE em uma de suas coletivas de imprensa, o tucano disse que os governadores estavam fazendo o papel que o presidente "não conseguia", e que ele não tinha condições de liderar o país na crise. Dias antes, o presidente havia chamado o coronavírus de 'gripezinha', e as palavras de Doria ganharam grande repercussão na mídia e no cenário nacional.
Bolsonaro voltou a criticar os governadores e principalmente o tucano, chamando-o de "lunático" e lembrando do apoio no segundo turno das eleições de 2018, quando o então candidato em São Paulo declarou seu voto e até criou o termo 'Bolsodoria'.
As críticas seguiram e até aceleraram os ânimos em uma videoconferência feita entre o presidente e governadores. Doria chegou a pedir o fim do 'Reis do Ringue' e que o presidente tivesse discernimento. Já Bolsonaro foi além: disse que o tucano era demagogo e que estava fazendo política, de olho, justamente, em 2022.
"Acredito que politizar uma crise como a do coronavírus, que é a maior crise de saúde pública em 100 anos, é um equívoco imenso. O momento não é o de tentar ganhar votos ou satisfazer o que os grupos eleitorais querem ouvir. Precisamos de líderes sensatos, responsáveis e que ajam em prol da resolução desta crise que será, além de uma crise na saúde, uma crise econômica e humanitária", diz o cientista político Leandro Blanque Becceneri, de São José.
"O poder executivo, federal e estadual deveria estar trabalhando em sincronia e união, de forma a tornar mais eficiente o combate à epidemia, esquecendo as desavenças eleitorais e focando no que importa neste momento, que é superação da crise do covid-19 em todos os seus aspectos", completa..