Era 17 de abril de 1964, quando a Ford enviou modelos de demonstração para todas as concessionárias da América do Norte. Alguns carros, ainda na fase de pré-produção, não podiam ser vendidos e teriam de ser devolvidos à fábrica. Entre eles estava o Mustang, produzido na linha de montagem, um conversível branco com número de identificação com número de identificação 5F08F100001, que assim como os demais da série depois seria escrapeado (jogado fora).
Mas, graças ao canadense Harry Phillips, tal carro não teve o destino que lhe havia sido reservado. O capaz, vendedor da concessionária em St. John’s recebeu o veículo. “Nós o colocamos em exposição no pátio perto da rua, onde todos pudessem ver”, lembra ele, que hoje tem 84 anos. “Logo um piloto de avião, o Capitão Stanley Tucker, entrou na loja e disse: ‘Este carro é meu’. Foi a venda mais fácil que já fiz na vida. Eu só estava parado na porta”, diverte-se Phillips.
“Ele pagou o sinal, mas como o carro tinha de continuar exposto, combinamos que só seria entregue algumas semanas depois. Ele vinha na loja todo dia para ver o carro, conversava um pouco e ia embora.”
Cadê o carro?
A fábrica levou alguns meses para dar falta do Mustang Nº1. “Houve uma falha de comunicação e o número de série não significava nada para nós, não sabíamos que ele era o primeiro. Só descobrimos o valor do carro quando a Ford veio procurar por ele”. Foram necessários dois anos de negociação até a Ford convencer o Capitão Tucker a abrir mão do veículo, que marcava 16.000 km no hodômetro.
Ele foi trocado por outro modelo histórico, o milionésimo Mustang, um conversível 1966 totalmente equipado. A história ficou famosa nos Estados Unidos. Mas o título de primeira compradora do Mustang pertence a Gail Wise, professora de Chicago que adquiriu seu conversível cor azul bebê no dia 15 de abril de 1964, dois dias antes do lançamento