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Exposição no Sesc São José traz fotografia de 'dorminhocos'

Por Thais Perez@_thaisperez |
| Tempo de leitura: 2 min
Volta ao mundo. Fotógrafo registrou diversas etnias e nacionalidades em seu trabalho durante 20 anos
Volta ao mundo. Fotógrafo registrou diversas etnias e nacionalidades em seu trabalho durante 20 anos

A hora do sono é sagrada e dormir é uma travessia cheia de mistérios. Não há, até o momento, teoria científica que explique o porquê do sono ser tão importante para os humanos. Há um consenso de que o sono é benéfico, mas não se sabe como e porque ele começou a fazer parte da evolução humana.

Contudo, sabemos que o estado adormecido é o mais vulnerável de uma pessoa. Tão vulnerável que o fotógrafo Pierre Verger foi capaz de fotografar diversas pessoas sem que elas percebessem. Seja por esgotamento mental e físico ou mera preguiça, as imagens do francês capturaram indivíduos em um estado raro: dentro do reino dos sonhos.

Em cartaz até novembro no Sesc São José dos Campos, as imagens da mostra foram produzidas no período entre as décadas de 1930 e 1950, ou seja, durante a saída do fotógrafo da França rumo ao mundo, até os anos posteriores ao seu encontro divisor de águas com a cidade de Salvador, em 1946, onde viveu até sua morte. A entrada é gratuita.

"Dorminhocos" ou "Dormeurs" traz 98 fotografias que mostram pessoas ao redor do mundo dormindo em locais públicos, em países como China, México, Brasil, entre outros.

Conhecido pelos seus trabalhos que registraram a diáspora africana, muitos deles no Brasil, a exposição traz fotografias menos conhecidas de Pierre Verger.

"As fotografias mostra o olhar de espontaneidade do corpo e sobre a banalidade do cotidiano. Ele estava em busca de pessoas que não queria posar para a câmera", afirma o especialista em História da Arte, Raphael Fonseca, curador da mostra.

Trazendo pluralidade de etnias e nacionalidades, Verger consegue levantar a discussão sobre quais são as razões de dormir em locais públicos. Dentre as possibilidade, estariam os momentos de repouso nos intervalos do trabalho, lazer, extremo cansaço e até mesmo não possuir uma casa para dormir.

A mostra passou pela Caixa Cultura no Rio de Janeiro no ano passado e pelo Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo neste ano. O curador da exposição descobriu as fotos de Pierre Verger durante sua pesquisa sobre a retratação da preguiça na arte brasileira.

"Há obras em que podemos notar que há um cunho de preconceito na retratação do caipira e do baiano como um corpo 'preguiçoso', em outros casos, vemos que os artistas utilizam cenas para enaltecer o momento de descanso que indivíduo tem o privilégio de ter", disse Fonseca..

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