A obra do Arco da Inovação, orçada inicialmente em R$ 48,517 milhões, já está 20,08% mais cara.
O contrato, que já havia sido reajustado em R$ 1,838 milhão em abril, sofreu acréscimo de R$ 7,9 milhões agora, chegando a um custo de R$ 58,26 milhões. Ao todo, serão gastos pelo menos R$ 9,743 milhões a mais do que o previsto.
Segundo o governo Felicio Ramuth (PSDB), o aditamento se deu pela inclusão de serviços que não estavam previstos inicialmente no contrato, como aumento da capacidade de drenagem, ampliação e requalificação da marginal e asfaltamento.
Nas contas da oposição, o projeto já custa ainda mais, acima de R$ 60 milhões. Para isso, o vereador Wagner Balieiro (PT) leva em consideração também gastos com desapropriações (R$ 1,45 milhão) e despesas com consultorias (R$ 360 mil).
O petista alegou ainda que os custos devem aumentar mais, pois parte da iluminação que seria implantada no local foi retirada do contrato. "Como esse item é essencial, todo esse serviço será repassado para outra empresa realizar (como por exemplo a Urbam), ou será necessário outro aditamento, o que pode aumentar ainda mais o preço da obra", afirmou.
O governo Felicio argumentou que "não procede o argumento do vereador" e afirmou que o petista "tenta confundir a população". A gestão tucana contesta o cálculo da oposição por somar "custos que não fazem parte da obra, como as desapropriações de imóveis do entorno".
O governo Felicio alegou ainda que o valor atual da obra "é bem inferior aos R$ 76 milhões que o próprio Wagner Balieiro anunciou em 2013, quando era secretário de Transportes do governo do PT e não teve competência para fazer a obra".
Iniciada oficialmente em 2 de julho de 2018, a obra deveria ter sido concluída pela construtora Queiroz Galvão em 2 de setembro desse ano, mas o prazo foi dilatado para o fim de dezembro.
Para tentar concluir a obra dentro desse novo prazo, a construtora trabalha em ritmo acelerado. Até 2 de novembro, por exemplo, o percentual de execução era de 64,27%. Em 2 de dezembro, segundo a prefeitura, o índice já era de 82%. O governo Felicio mantém a previsão de entregar a ponte estaiada até o fim desse ano.
Para justificar o atraso são citados fatores como paralisação judicial (a obra ficou parada 11 dias), chuvas e interferências das redes subterrâneas, que não estavam mapeadas corretamente pelas concessionárias.
Construção é alvo de questionamentos do MP, da Defensoria e de ambientalistas
A ponte estaiada que está sendo erguida na região oeste de São José é alvo de dois questionamentos. Em um deles, desde dezembro de 2018 o Ministério Público e a Defensoria Pública contestam na Justiça a eficiência da obra e também a legalidade da construção. Foi nessa ação que os trabalhos chegaram a ser paralisados por 11 dias. No outro caso, o MP instaurou esse mês um inquérito para apurar a denúncia de ambientalistas sobre suposto derramamento de concreto e resíduos de construção civil nas margens e no leito do rio Vidoca. Nos dois casos, o governo Felicio nega qualquer irregularidade e diz que a obra é essencial para melhorar o trânsito na região.