SIM.
A resposta a pergunta é unânime. “Pelo retrospecto dele, tenho absoluta convicção”, cravou o pesquisador Pedro Rubim, editor do “Almanaque Urupês”.
“Quando ele escreveu Zé Brasil, já no final de sua vida, ele reconta a história de tantos jecas-tatus, mas de maneira respeitosa, enxergando, de fato, quais eram os motivos do atraso do homem do campo: o problema não era o indivíduo, mas, a estrutura da sociedade brasileira”, lembrou o professor Luzimar Goulart Gouvêa.
“Então, Lobato tinha essa capacidade de reconhecer seus equívocos e de tentar corrigir-se. Por isso, creio, firmemente, que ele reelaboraria sua obra”, continuou.
Ricardo Lobato, bisneto do autor, concorda com ambos. “Ele certamente usaria em sua obra frases do contexto de hoje. Até porque ele não era racista. Naquela época, as frases que ele colocou eram absolutamente normais. Ele era um homem do seu tempo, nascido na época da escravidão. Não podemos apagar essa história”, concluiu.