Iniciativas de responsabilidade social estão na formação do empresariado brasileiro e várias foram assumidas pelo Estado. A Tecelagem Parahyba, de Olivo Gomes, em São José dos Campos, e a América Fabril, de Fernando Gasparian, no Rio de Janeiro, em 1940/50, construíram vilas operárias para as famílias de seus funcionários e concederam salário extra de fim de ano. Embrião do 13º salário que só aconteceu em 1963.
E mesmo na ditadura militar de 1964 criou-se o BNH para financiamento de casas populares.
Portanto, empresas brasileiras e mesmo multinacionais que aqui se instalaram praticam a responsabilidade social. Criou-se até um orçamento paralelo ao econômico-financeiro. Destarte, não entendo o ultraliberalismo que reduz a carga tributária das empresas focando a desoneração da folha de pagamentos de seus funcionários. Outros cortes podem ser feitos. A responsabilidade social das empresas implica na própria contribuição previdenciária mantendo-se sustentável o sistema de partilha do INSS.
A crise do Chile, o país sul-americano mais próspero e de melhor renda per capita, está aí para alertar o risco da chamada "capitalização" e que é preciso um combate mais eficaz da desigualdade social como responsabilidade da política econômica de qualquer país democrático. E isto acontece não só com serviços públicos de qualidade e fácil acesso como também ampliando iniciativas de responsabilidade social das empresas reduzindo as desigualdades para ativar a economia..