Brasil

Lula critica Bolsonaro e diz que não pode 'permitir que os milicianos acabem com o país'

Por Caíque Toledo |
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Lula
Lula

Em discurso para apoiadores e militantes na tarde deste sábado no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, no ABC Paulista, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e disse que não pode "permitir que os milicianos acabem com este país."

Em discurso no dia seguinte após deixar a sede da Polícia Federal em Curitiba, onde ficou preso por 580 dias, o ex-presidente criticou o atual governo e também Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, e o procurador Deltan Dallagnol. O petista disse que vai voltar às ruas para tentar colocar a esquerda no poder.

"Quero dizer que estou de volta. O meu sonho não é resolver os meus problemas, a única coisa que tenho certeza é que estou com mais coragem de lutar do que eu estava quando sai daqui", disse, em alusão a quando deixou o Sindicato no ano passado para ser levado à Polícia Federal.

Durante a fala, Lula disse que é necessário uma melhor perícia no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, no ano passado, no Rio de Janeiro, e disse que Bolsonaro precisa governar "para o povo, e não para os milicianos." "Vejo os companheiros reclamarem que está difícil levar o povo para a rua. O cidadão [Bolsonaro] foi eleito, democraticamente nós aceitamos o resultado, esse cara tem o mandato de quatro anos. Mas ele foi eleito para governar para o povo, e não para os milicianos", disse.

Lula discursou ao lado do ex-candidato à presidência Fernando Haddad (PT), políticos como os deputados Gleisi Hoffmann (PT) e Marcelo Freixo (PSOL), o também ex-candidato Guilherme Boulos (PSOL), além de diversos lideres sindicais. "Não sei se perceberam uma falha no discurso do Bolsonaro anteontem, ele chegou a confessar que devia a eleição ao Moro. Na verdade, ao Moro, aos juízes que me julgaram, a campanha de fake news, de mentiras, que fizeram contra o companheiro Haddad e à esquerda desse país", afirmou.

Por fim, o ex-presidente disse que Bolsonaro precisa se explicar de polêmicas, como o caso do ex-assessor Fabrício Queiroz, e que sua defesa solicitou ao Supremo Tribunal Federal a anulação de seus processos. "Já existem argumentos o suficiente para provar, e falo sem nenhum rancor, que o Moro é mentiroso, que o Dellagnol é mentiroso. Se a gente trabalhar direitinho, a chamada esquerda que o Bolsonaro tem tanto medo vai derrotar a ultradireita", completou.

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