Alvo de ataques recentes do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o fundador e presidente do PSL, Luciano Bivar, afirmou nesta quart-feira em entrevista ao portal de notícias UOL que a intenção do capitão reformado é "descartar" o partido para tentar se reeleger em 2022. "No mundo político não dá para entender tudo. (...) Bolsonaro é muito intuitivo. No momento que ele tem o sentimento de que é hora de descartar o PSL para ser reeleito, então é uma estratégia", afirmou Bivar.
O presidente do PSL evitou relacionar a intenção de Bolsonaro em "descartar" a legenda aos escândalos envolvendo candidaturas laranjas no PSL. "Talvez seja [por isso] na cabeça dele. Eu não sei, como vou entrar no mundo subjetivo do presidente?", disse. "Talvez seja uma estratégia pessoal".
Na terça, Bolsonaro orientou um apoiador a esquecer o partido e que não divulgasse um vídeo no qual citava Bivar dizendo que o deputado está "queimado". "Esquece o PSL, tá ok? Esquece", afirmou o presidente.
Apesar da declaração de Bolsonaro, Bivar adotou tom conciliador e afirmou que não conversou com Bolsonaro depois da polêmica de ontem porque "estava em viagem e em compromissos oficiais".
Bivar também afirmou que pretende continuar apoiando o governo e que preferia perder sua eleição no ano passado a ver "Jair perder a dele".
Bivar também disse que gosta dos filhos do presidente e que não desembarca do governo mesmo com a saída de Bolsonaro do partido.
Bivar descarta 'punir' presidente caso resolva mesmo deixar o partido
O fundador do PSL, Luciano Bivar, disse nesta terça que não pretende punir o presidente Jair Bolsonaro caso ele desista de deixar a sigla. "Não teve nenhuma oferta fisiológica dele ao partido; foi isso que me passou credibilidade em aceita-lo no PSL. Ele não tem nenhum comprometimento de traição porque a coisa foi feita em cima de ideais de mudar a estrutura do país." O deputado negou ainda preocupação com uma possível debandada do partido. "Eu não sei se é um tiro fatal [ao PSL] a saída de Bolsonaro. (...) O que menos importa pra mim é o fundo partidário, é uma gama imensa de candidatos que não veneram os mesmos princípios. O PSL vive há 20 anos."