Quem “Castrou Alves”?
- O “Machado de Assis”.
- Boa essa piada. De quem é?
- “‘Eça’ é de Queiroz”.
Pronto, o riso toma conta da sala de aula. Nem Robério de Paula Lima Filho, coordenador do ensino médio do colégio Objetivo Aquarius, segura a risada. Ele faz parte de uma turma de professores amado por seus alunos e que acreditam que o humor é válido para deixar o conteúdo divertido e tornar o estudo mais produtivo.
Músicas, piadas, frases engraçadas e expressões faciais estão na lista de possibilidades. “Hoje em dia a decoreba já não é mais cobrada nos exames. A maioria das informações são fornecidas na prova, mas engana-se quem pensa que isso torna o teste mais fácil”, comentou. “Ou seja, não adianta dar o caminho ao aluno se ele não souber por onde ir.
É nessa hora que o bom humor e a criatividade entram em ação”, continuou ele, que faz uso de toda a sua veia artística para quebrar o gelo e aproximar os estudantes dos conteúdos mais espinhosos. “Essa ferramenta, que antes era usada apenas para memorização, hoje é utilizada para dar ao aluno uma experiência mais lúdica durante o aprendizado. Piadinhas também são bem vindas não apenas para fixar informações, mas para relaxar e rir junto com os colegas da turma”, ressaltou Lima Filho.
O estudante Evandro Naoto Niwa, 19 anos, sabe bem como é essencial encontrar uma fuga e se distrair. “Confesso que a ideia do vestibular já foi muito estressante e motivo de angústia para mim. Atualmente, entretanto, com auxílio de pessoas importantes para mim (família, amigos, profissionais), consigo ver as provas como um processo natural e tranquilo”, disse.
Aos risos Evandro confessou uma das analogias preferidas dele. “Gosto do seriado Friends! Então, uso a personagem Phoebe para lembrar que o FÍgado produz a BIle”, brincou. Já a controladora de acesso Luciana Karen Miranda Barbosa, 33, afirmou que apesar de estar lidando bem com a fase pré-vestibular, às vezes fica ansiosa com a chegada do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
“Vou fazer o exame para ter experiência em provas. Miro em concursos públicos e no vestibular. Mas é difícil manter o foco nos estudos ou mesmo tirar um dia para estudar, pois trabalho e tenho uma filha. No entanto, sei que ingressar no funcionalismo público ou passar no vestibular não são tarefas impossíveis”, contou. A controladora afirma que gostaria de aprender métodos que a ajude nessa missão.
Neurociência
Para o professor Pavel Iuri Melo, do colégio Anglo Cassiano Ricardo, a neurociência mostra que temos mais facilidade de memorizar situações que nos trazem emoção, seja alegria ou tristeza. “Quanto mais uma situação nos trás emoção, mais nos recordamos dela. Nas minhas aulas tento ser bem dinâmico e alegre. Acho que isso ajuda a chamar atenção dos estudantes que, muitas vezes, estão desmotivados.
É preciso ter empatia”, enfatizou. “O conteúdo é sempre o mesmo para todas as escolas, o que vai mudar é a forma como ele é ensinado. Acho que o meu ponto forte nesse caso é a criatividade. Inventar histórias, piadas, macetes, escrever letras de rap e produzir vídeos para o YouTube... Vale tudo para deixar o conteúdo mais leve em um ano tão pesado”, finalizou o professor, que faz parte da equipe do canal “Biokrill” na web.