Conhecido por trazer em suas 45 questões de ciências humanas a análise e a interpretação de temas atuais, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que ocorre nos dias 3 e 10 de novembro, tem sido motivo de preocupação para alguns vestibulandos. O receio do que vem por aí parece fazer sentido levando-se em conta o fato de o exame estar na pauta do governo desde o ano passado, quando o presidente Jair Bolsonaro (PSL) criticou a prova afirmando que seria bem-vinda uma revisão do conteúdo antes de sua aplicação.
Em abril deste ano, o ministro da Educação, Abraham Weintraub afirmou durante o programa “Brasil em Pauta”, da TV Brasil, da EBC, que não haverá qualquer questão de cunho ideológico. “A gente quer saber de conhecimento científico, técnico, de capacidade de leitura, de fazer contas, de conhecimentos objetivos”, afirmou na ocasião. Ou seja,a apreensão é natural. Mas o que dizem os especialistas? “Seguramente posso afirmar que não devemos esperar grandes mudanças nas provas”, cravou Sérgio Vinícius Corrêa,coordenador pedagógico do curso Planck, de São José dos Campos.
“Poucos sabem como funciona a formulação da prova do Enem. Ela é feita por meio do banco de dados de questões do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), que foi alimentado de 2009 até 2019”, relatou. Assim, é provável que questões deste ano não estejam presentes. “Devido ao TRI (sistema “antichute”) do exame, as questões que compõem a prova devem seguir níveis de dificuldades variados em todas as disciplinas.
Assim, se, por exemplo, no ano de 2009 tivemos em História 16 questões, sendo três de nível elevado, oito de nível médio e cinco de nível fácil, as provas subsequentes devem seguir esse mesmo padrão dos graus de dificuldade”, disse. “O que deve mudar são os textos condutores das questões, que não devem seguir uma métrica tão progressista como nas últimas edições, todavia sem alterar o nível e o tema das questões”.
Glauco Santos, coordenador pedagógico do Ensino Médio do Instituto São José, também aposta que não haverá muitas modificações no Enem em relação aos anos anteriores.
“As questões devem continuar a exigir do candidato muita interpretação de texto e a habilidade de relacionar conteúdos diferentes em uma mesma pergunta”, afirmou. Mas e os demais vestibulares, que têm mais liberdade na elaboração de suas provas?
Temas polêmicos
Para Diego Garcia, coordenador do programa Mais Instituto de preparação para o vestibular do Instituto São José, as provas devem seguir o mesmo modelo dos anos anteriores. “A Fuvest tende a manter o alto nível de exigência de conteúdos, visando a selecionar o aluno mais bem treinado, enquanto a Unicamp, pelo seu histórico, tende às maiores críticas políticas e sociais”, avaliou.
“Já a Vunesp é sempre focada na interpretação dos textos propostos, de modo que o candidato deve se manter atualizado e focado na preparação”, alertou. Na redação, segundo os professores, temas polêmicos também deverão passar longe no Enem. “Embora sejam cobrados nos últimos anos temas que tratem de problemas sociais, não devemos esperar esses assuntos polêmicos na proposta de redação do exame nacional se considerarmos a atual situação do MEC (Ministério da Educação)”,afirmou Priscila Giovanini, professora do Instituto São José.
Para ela o Enem deve seguir na direção contrária aos demais vestibulares, tais como Fuvest, Unicamp e Unesp, que devem trazer temas mais críticos em suas provas. O coordenador do Planck inclusive arriscou dois palpites. “Eu apostaria em: ‘como melhorar a questão da mobilidade urbana no Brasil’ ou talvez ‘o combate à depressão na sociedade brasileira’”, afirmou.
Vale anotar as dicas.
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