"Agora, pelo que vi, o Moro não mordeu a isca. Nem eu". Assim o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) buscou nesta terça minimizar os atritos com o ministro Sergio Moro e colocar um ponto final no impasse criado com a possível separação ministerial entre Justiça e Segurança Pública. Na estrutura atual, o ex-juiz da Operação Lava Jato comanda as duas atribuições em uma pasta única, com controle sobre órgãos importantes como a Polícia Federal. Bolsonaro está atento ao jogo de poder dentro da PF porque o seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), é investigado no Rio de Janeiro em razão de transações financeiras consideradas atípicas de seu ex-assessor Fabricio Queiroz.
O desgaste entre Moro e Bolsonaro foi criado depois que o presidente sinalizou a secretários estaduais de segurança a possibilidade de recriar o "Ministério da Segurança Pública", que existia até o fim do governo de seu antecessor, Michel Temer. A medida esvaziaria o poder de Moro dentro do governo federal.
"É comum. É a luta pelo poder. O tempo todo tem alguém beliscando ministério", disse o presidente. "Agora, pelo que vi, o Moro não mordeu a isca. Nem eu. Continua ele com o ministério [da Justiça e Segurança Pública], sem problema nenhum".
Segundo afirmou o mandatário, os dois devem ser encontrar ainda nesta semana. O motivo da agenda não foi explicado, mas eles devem aproveitar para, em caráter definitivo, pacificar a relação.
Bolsonaro foi intensamente criticado nas redes sociais pela tentativa de esvaziamento do ministro, cuja popularidade é grande desde o período em que ele estava à frente da Operação Lava Jato.
Nesta terça, Bolsonaro tratou de relativizar as brigas internas no governo e argumentou que disputas também ocorrem em outros ministérios, como o do Desenvolvimento Regional, chefiado por Gustavo Canuto.
A possibilidade de recriação da pasta da segurança representa mais um capítulo no embate quase sempre silencioso entre Bolsonaro e Moro, hoje com uma popularidade maior que a do chefe, segundo pesquisas de opinião pública, e considerado um potencial candidato na eleição presidencial de 2022.
REGINA DUARTE.
Bolsonaro também falou da expectativa para que Regina Duarte assuma o cargo de secretária especial de Cultura do governo. De acordo com o presidente, talvez nesta quarta a decisão da atriz seja anunciada. "Se ela tem disposição realmente, para mim seria excepcional, para ela ter oportunidade de mostrar como fazer cultura no Brasil. Ela tem conhecimento do que vai fazer, precisa de gente com gestão ao seu lado, tem cargo para isso, ela vai poder trocar quem ela quiser, sem nenhum problema. Então, tem tudo para dar certo", disse.
A atriz esteve em Brasília na semana passada para se encontrar com Bolsonaro e conhecer a estrutura da secretaria. "Eu conversei com ela como tratar a questão da cultura no Brasil, sem o viés de esquerda que tinha, só dava minoria e nós queremos uma cultura para o povo de maneira geral", completou Bolsonaro..