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Temporada de água-viva; saiba como se proteger de queimaduras

Por Bárbara Monteiro@Barbara_Ovale |
| Tempo de leitura: 2 min

Dezessete anos já se passaram e o assessor de investimentos Daniel Lunardi, 31 anos, nunca esqueceu-se de um episódio em uma de suas férias em Caraguatatuba.

"Estava surfando quando senti como se uma linha passasse pela minha perna e em poucos instantes comecei a notar uma ardência muito forte", lembrou ele, que aos 14 anos, sofreu queimaduras pelo contato com água-viva. "A dor foi muito grande e - conforme sabedoria popular - fiz xixi na mão e joguei no local para ver se aliviava. Mas não fez diferença alguma e ainda fiquei uns dias com febre", contou.

Comum nesta época do ano, esses habitantes marinhos podem complicar a diversão de muitos banhistas. A presença da água viva muitas vezes é indetectável, mas basta um toque para que a toxina cause reações.

Segundo o Comandante de Subgrupamento de Bombeiros Marítimo de Caraguatatuba, João Batista de Castro Rapaci, ao avistar o animal é recomendado que o banhista saia da água. "Há chances dos seus tentáculos estarem soltos no mar, o que também pode causar lesões", informou.

Mas, segundo Hugo Gallo, diretor do Aquário de Ubatuba e presidente do Instituto Argonauta, os animais não atacam banhistas.

"Esses habitantes marinhos produzem toxinas para se defender dos seus predadores e paralisar suas presas. O contato com humanos ocorre por acidente", afirmou ele. "Por isso, é recomendado o deslocamento lento em áreas onde é observada a ocorrência desses animais", continuou.

Ainda segundo Gallo, não é uma boa ideia mexer nelas nem quando estão mortas. "O sistema de defesa é involuntário e continua em ação por algum tempo", alertou.

E mais: o bicho possui células urticantes pelo corpo inteiro, com maior concentração nos tentáculos, ou seja, diferente do pensamento popular não é somente a "cauda" que causa ferimentos.

Cuidados.

De olho na quantidade de banhistas nessa época do ano, a Prefeitura de Caraguatatuba realiza ações prevetivas.

A campanha reforça que pessoas alérgicas devem ter a atenção redobrada, pois a queimadura pode acarretar o fechamento da glote por edema, podendo levar a risco de vida. As principais reações, aliás, após o contato com a água-viva são vermelhidão e edema, quadros de enjoo, náuseas, dificuldades de respiração e choques anafiláticos.

Se o contato com este animal - ou a Caravela - acontecer, segundo Rapaci, o melhor a fazer é lavar o local atingido com água do mar ou vinagre, retirar os tentáculos grudados na pele e, para amenizar a dor, aplicar compressa gelada.

"Após os primeiros socorros é importante hidratar a região e evitar a exposição ao sol durante alguns dias. Já em casos de ferimentos mais graves é importante dirigir-se ao hospital mais próximo", concluiu.

Em tempo, o uso de urina para aliviar a dor, segundo Gallo, é uma crendice popular não recomendada por especialistas da área de saúde..

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