O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou nesta quinta-feira que não é fácil governar com "tanta oposição" e, em tom de desabafo, disse que "sua vida praticamente acabou depois das eleições". Com voz chorosa e visivelmente emocionado, o mandatário afirmou: "Não queira estar no meu lugar. Sabia que ia ser difícil, mas temos aqui uma prova viva que devemos lutar pelos nossos filhos".
Ele fez referência a jovens venezuelanos que visitaram nesta tarde o Palácio do Planalto e fizeram uma apresentação musical. O evento não constou na agenda oficial do presidente, que posteriormente ofereceu um lanche para o grupo de crianças e adolescentes. Tudo foi transmitido ao vivo na página oficial de Bolsonaro no Facebook.
"Estou um pouco emocionado porque eu já fui garoto. Lá atrás muitos brasileiros evitaram que o Brasil por causa de um regime, por ventura, volte. Temos que nos conscientizar", declarou ele, em referência aos governos petistas que o antecederam. Segundo Bolsonaro, a esquerda brasileira ajudou a eleger o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez (morto em 2013) e seu sucessor, Nicolás Maduro.
A Venezuela atravessa uma grave crise social nos últimos anos, o que levou a um intenso fluxo migratório nas fronteiras brasileiras. A região que mais recebeu pessoas do país vizinho foi Pacaraima, em Roraima.
"Quase por um milagre o Brasil conseguiu mudar o seu governo. Não é fácil manter a linha que nós queremos manter com tanta oposição", comentou Bolsonaro. Na visão dele, "alguns reclamam o tempo todo" e mesmo brasileiros teoricamente simpáticos ao governo "querem que a gente mude o país de um ano para o outro".
"Tem que ter uma conscientização no Brasil. Minha vida acabou... [pausa emocionada]. Praticamente acabou depois das eleições. Não estou reclamando disso. Peço apenas que os brasileiros pensem no seu país", afirmou o presidente da República.
COMUNICAÇÃO.
Também nesta quinta, Bolsonaro disse que, se a comunicação do governo fosse uma "porcaria", não haveria críticas ao secretário de Comunicação Social da Presidência, Fabio Wajngarten.
O presidente disse que o auxiliar continuará no cargo, pois não há ilegalidade na relação da FW Comunicação e Marketing, empresa de Wajngarten, com emissoras de TV e agências de publicidade que recebem recursos do governo.
"Se for ilegal, a gente vê lá na frente. Mas o que eu vi até agora está tudo legal com o Fabio. Vai continuar. É um excelente profissional. Se fosse um porcaria, igual alguns que têm por aí, ninguém estaria criticando ele", disse Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvorada.
Wajngarten é sócio da FW Comunicação e Marketing, dona de contratos com ao menos cinco empresas que recebem recursos direcionados pela Secom. O secretário afirmou que os acordos comerciais foram feitos antes de seu ingresso na Secom. Esses contratos, segundo ele, "não sofreram qualquer reajuste ou ampliação" desde então..