Política

Em dois anos, gastos com viagens da Câmara de Taubaté têm redução de 89,2%

Por Julio Codazzi@juliocodazzi |
| Tempo de leitura: 2 min
Farra. Foram ao menos 70 viagens com irregularidade em 2017 e 2018
Farra. Foram ao menos 70 viagens com irregularidade em 2017 e 2018

Em um intervalo de dois anos, a Câmara de Taubaté reduziu em 89,24% os gastos com viagens oficiais.

O levantamento, feito pela reportagem com base em dados do Portal da Transparência, levou em consideração os ressarcimentos de despesas dos vereadores e as diárias dos servidores.

Em 2019, os gastos somaram R$ 21.943,16, sendo R$ 1.113,47 em despesas de vereadores e R$ 20.829,69 em diárias de servidores (foram 107 diárias de R$ 194,67).

Em 2017, no primeiro ano da atual legislatura, as despesas haviam somado R$ 204.034,94, sendo R$ 19.295,84 para parlamentares e R$ 184.739,10 para funcionários (1.005 diárias de R$ 183,82).

Já em 2018 os gastos foram de R$ 73.566,52, sendo R$ 3.788,38 para vereadores e R$ 69.818,14 para servidores (373 diárias de R$ 187,18).

Em 2019, apenas quatro vereadores pediram ressarcimento de despesas em viagens oficiais: Bilili de Angelis (PSDB) recebeu R$ 669,57 por gastos em 10 viagens; João Vidal (PSB) teve reembolso de R$ 212,13 por dois deslocamentos; Gorete Toledo (DEM) recebeu R$ 202,17 por quatro viagens; e Graça (PSD) teve reembolso de R$ 29,60 após um deslocamento.

FARRA.

A queda nas despesas coincide com a evolução das etapas do caso que ficou conhecimento como 'Farra das Viagens'.

A partir de setembro de 2017, quando o jornal ajuizou uma ação para obter acesso aos relatórios de viagens oficiais da Câmara, os vereadores começaram a reduzir os gastos. Depois de julho de 2018, quando a Justiça liberou acesso aos documentos e o jornal revelou o escândalo, as despesas despencaram de vez.

O caso, que é investigado pelo Ministério Público nas esferas cível e criminal, envolve 14 parlamentares, sendo 13 vereadores e um suplente. No fim de 2018, após recomendação da Promotoria do Patrimônio Público, eles já devolveram mais de R$ 14 mil que haviam recebido em 70 viagens com irregularidades. Os parlamentares citados no escândalo - Jessé Silva (SD), Douglas Carbonne (PCdoB), Bilili de Angelis, Vivi da Rádio (PSC), Gorete Toledo, Diego Fonseca (PSDB), Dentinho (PV), Digão (PSDB), Graça, João Vidal, Nunes Coelho (PRB), Alexandre Villela (PTB), Bobi (PV) e o suplente Fião Madrid (PSDB) - negam ter cometido irregularidades.

Em resposta ao escândalo, o vereador Boanerge dos Santos (PTB), que assumiu a presidência da Câmara em janeiro de 2019 e não é citado no caso, adotou uma série de medidas para reduzir as despesas da Casa. O pacote incluiu a transferência de 12 dos 20 veículos e 13 dos 21 motoristas à prefeitura e o corte em contratos de itens como combustível e aluguel de garagem..

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